Lula diz a Trump que visitará os EUA, mas rejeita termos do Conselho da Paz

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, conversaram por cerca de 50 minutos na manhã desta segunda-feira (26). Temas bilaterais – como o tarifaço imposto pela Casa Branca ao País em julho, mas parcialmente revertido nos meses seguintes – entraram em pauta. Mas, segundo o Planalto, a conversa se concentrou em “temas relacionados à relação bilateral e à agenda global”.

Ao que tudo indica, Lula não aceitou nem negou o convite que Trump lhe fez para que o Brasil integre o polêmico Conselho da Paz. A iniciativa, lançada na última quinta-feira (22) com o suposto objetivo de viabilizar a reconstrução da Faixa de Gaza, é a maior cartada de Trump para debilitar e substituir a ONU (Organização das Nações Unidas). O estatuto do órgão prevê superpoderes para Trump, incluindo o poder de veto e a presidência vitalícia.

Mesmo sem responder formalmente ao convite, o presidente brasileiro manifestou discordâncias com os termos gerais do Conselho da Paz. “Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina”, informou o Planalto. Além disso, Lula ressaltou a relevância da ONU, que demanda uma “reforma abrangente” para ampliar o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

A crise na Venezuela, decorrente da ofensiva estadunidense e do sequestro do presidente Nicolás Maduro, foi abordada. O Planalto, porém, limitou-se a dizer que Lula “ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”.

Lula e Trump falaram, ainda, sobre os avanços nas negociações do tarifaço e os resultados das economias norte-americana e brasileira em 2025 – ambas cresceram acima das previsões do mercado. Em comum acordo, o presidente brasileiro anunciou que visitará os Estados Unidos em breve – provavelmente em março. Antes dessa viagem, Lula irá, em fevereiro, à Índia e à Coreia do Sul.

Com relação à segurança, a proposta brasileira de uma maior “cooperação no combate ao crime organizado” avançou. De acordo com o Planalto, “Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras”.

Foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde o telefonema entre eles feito em 2 de dezembro. O tom do diálogo confirma que o governo brasileiro restabeleceu o contato direto com a Casa Branca, neutralizando as manobras dos bolsonaristas para interditar as relações entre os dois países.

Originalmente publicado em Vermelho

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