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Brasil deve pagar R$ 1 trilhão em juros em 2026, mesmo com queda da Selic

Projeções indicam que custo da dívida pública seguirá elevado. Despesa com juros deve atingir 8% do PIB neste ano

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A ligeira redução recente da taxa básica de juros, a Selic, não será suficiente para aliviar de forma imediata o peso da dívida pública brasileira. Mesmo com o início do ciclo de cortes anunciado pelo Banco Central, o país deve continuar desembolsando mais de R$ 1 trilhão por ano apenas com o pagamento de juros, refletindo o elevado custo de financiamento e o tamanho do endividamento acumulado. As estimativas indicam que esse cenário deve persistir ao menos até 2027, mantendo forte pressão sobre as contas públicas, segundo o jornal O Estado de São Paulo.

De acordo com projeções de mercado reunidas pelo Banco Central, a despesa com juros da dívida deve atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e subir para 8% em 2026. A partir desse ponto, a expectativa é de queda gradual, mas sem retorno ao patamar histórico de cerca de 6% ao longo da próxima década. O impacto financeiro deve se manter elevado mesmo com a redução gradual da taxa básica.

Dívida elevada e impacto prolongado

O peso dos juros permanece elevado principalmente porque parte significativa da dívida pública ainda será refinanciada a taxas mais altas. Embora cerca de 54% do estoque esteja indexado à Selic — o que permite algum alívio com a queda dos juros —, o restante é influenciado por fatores como risco fiscal e percepção dos investidores.

Na prática, isso significa que a redução do custo médio da dívida será lenta. O economista do Santander Ítalo Franca explicou que o estoque atual, com custo médio de 12% ao ano, está sendo substituído por novas emissões com taxa de 13,7%. “Mesmo considerando nossa projeção de Selic em 11,5% no próximo ano, a redução do custo médio da dívida deve ocorrer de forma gradual”, afirmou.

Tamanho da dívida limita alívio

Outro fator determinante é o crescimento expressivo da dívida pública, que já ultrapassa R$ 10 trilhões — equivalente a 78,7% do PIB. Para Ian Lima, diretor de investimentos em renda fixa da Inter Asset, o volume total da dívida reduz o impacto positivo da queda dos juros. “A despeito de a taxa média cair, o volume total (da dívida) não vai dar muito alívio”, avaliou.

Já o estrategista-chefe da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital, destacou que o cenário fiscal também contribui para manter os custos elevados. “Fazendo um déficit primário com custo alto e com crescimento econômico mediano, é difícil reverter essa trajetória”, disse.

Governo descarta risco de calote

Apesar da escalada do endividamento, o Tesouro Nacional afirma que não há risco de insolvência. Segundo o órgão, as regras do novo arcabouço fiscal devem levar à estabilização da dívida ao longo dos próximos anos.

Relatório oficial aponta que a dívida bruta pode alcançar 88,6% do PIB até 2032, com tendência de estabilização a partir de 2029 e leve recuo até 2035. Economistas também avaliam que o risco de calote é baixo, especialmente porque 96% da dívida está denominada em moeda local.

No entanto, especialistas não descartam riscos indiretos. O economista da XP Investimentos, Tiago Sbardelotto, alertou para a possibilidade de ajustes via inflação em cenários extremos. “O risco reside, na verdade, em um ajuste pela via inflacionária”, afirmou.

Impacto no crescimento econômico

Além do custo direto, o avanço da dívida pública pode gerar efeitos negativos sobre a economia. O ex-secretário do Tesouro Nacional Jeferson Bittencourt destacou que o aumento do endividamento reduz a disponibilidade de recursos para o setor privado.

Segundo ele, a necessidade de captação do governo — estimada em R$ 1,7 trilhão apenas neste ano — intensifica a competição por crédito. “É o Estado competindo com o setor privado pelos recursos da poupança. Quanto maior a dívida, mais o Estado precisa tomar recursos para rolar a dívida. Sobram menos recursos para o setor privado, que passa a ter com isso um financiamento mais caro”, explicou.

Bittencourt também ressaltou que o principal risco não está na solvência, mas nos impactos sobre a atividade econômica. “Então, eu me preocupo menos com a questão da solvência e mais com os danos ao crescimento econômico de uma dívida desse tamanho”, concluiu.

Com informações do Brasil247

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