O programa Entrelinhas Vermelhas desta quinta-feira (26) recebeu Nádia Campeão, presidenta nacional do PCdoB, para debater os 104 anos de fundação do Partido, celebrados neste 25 de março, e os principais desafios políticos do momento. Em conversa com Inácio de Carvalho, a dirigente abordou desde a disputa eleitoral até bandeiras sociais e questões de soberania nacional.
Assista a íntegra da entrevista:
Aniversário com homenagens e mobilização
“Sempre é um período em que a gente faz campanhas de filiação e comemora com muita alegria”, afirmou Nádia sobre o mês de março, marcado por Festivais Vermelhos em diversas cidades. Este ano, as celebrações incluem homenagens a Renato Rabelo, ex-presidente do partido, e Márcio Cabreira, dirigente falecido recentemente. “Deixaram um legado extraordinário de exemplo e luta”, destacou.
Eleições: Lula, bancada e governos estaduais
Sobre o cenário eleitoral, Nádia classificou a disputa presidencial como “momento decisivo” de confronto com a extrema direita. “O imperialismo estadunidense, através do governo Trump, vai buscar interferir no processo eleitoral”, alertou, citando a conexão com o clã Bolsonaro.
O PCdoB busca ampliar sua bancada federal, atualmente com nove deputados, e deve filiar o décimo, Gervásio da Paraíba, na Paraíba. “Vamos lançar candidatos em todos os estados, com quadros preparados e novas filiações”, informou. A estratégia inclui também compor chapas majoritárias competitivas para governos estaduais e Senado.
Jornada de trabalho e combate à violência contra a mulher
Duas bandeiras históricas ganharam destaque na entrevista. Sobre a redução da jornada, Nádia defendeu a aprovação do projeto que estabelece 40 horas semanais e escala 5×2 sem redução salarial. “É uma luta centenária da classe trabalhadora contra a exploração”, afirmou.
Quanto ao feminicídio, a presidenta associou o aumento dos casos ao ambiente de truculência estimulado pela extrema-direita. “É uma vergonha nacional esse número de feminicídios”, disse, reforçando que o combate exige “pacto geral de homens e mulheres”. Ela lembrou que a Lei Maria da Penha tem como relatora a deputada Jandira Feghali (PCdoB).
Caso Banco Master: contexto e responsabilidades
Sobre o escândalo do Banco Master, Nádia rebateu tentativas de vincular o presidente Lula ao caso. “É a maior fraude bancária do país”, citou declaração do ex-ministro Fernando Haddad. Segundo ela, a fraude ocorreu entre 2019 e 2024, sob gestão do Banco Central presidida por Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro.
“Como é que ele fica seis anos à frente do BC e não viu nada acontecer?”, questionou. Para Nádia, há uma articulação para responsabilizar o governo atual por investigações que expõem fraudes do sistema financeiro e ligações com a direita bolsonarista.
Riscos externos e perspectiva socialista
Nádia alertou para riscos de interferência externa nas eleições, citando a doutrina de segurança de Trump que caracteriza organizações criminosas como terroristas para justificar intervenções. “Eles têm aqui um representante direto: o clã Bolsonaro”, afirmou.
Por fim, sobre o socialismo, ela defendeu que a trajetória chinesa representa “uma segunda experiência socialista muito exitosa neste século”. “O socialismo vive”, concluiu, reafirmando a perspectiva de superação dos impasses do capitalismo como horizonte estratégico do PCdoB.
Com informações do Vermelho
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