A deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o editorial do jornal Estado de São Paulo e afirmou que o texto “não cabe na realidade do Brasil”, ao acusar o veículo de defender medidas que atingem diretamente a população mais pobre e as famílias brasileiras.
A declaração foi feita em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (27). No comentário, Gleisi reagiu ao editorial intitulado “Ser anti-Lula não basta”, que analisa o cenário eleitoral e cobra das candidaturas de oposição um duro ajuste neoliberal.
Crítica direta ao editorial
Na postagem, a deputada foi enfática ao contestar o conteúdo do jornal. “O Estadão vem com outro editorial que não cabe na realidade do Brasil, só na do mercado. Diz que ‘ser anti-Lula não basta’, e emenda: ‘Uma verdadeira candidatura de oposição precisa ter coragem de defender um duro ajuste fiscal, sem o qual nenhum governo será capaz de tirar o País da mediocridade’”, afirmou.
Segundo Gleisi, o posicionamento expressa uma agenda que penaliza a população. “Defende com clareza forte arrocho sobre os mais pobres e as famílias. Eles não são apenas contra Lula, são contra os pobres e aqueles que precisam de um governo”, declarou.
Ela também criticou a abordagem do jornal sobre programas sociais e econômicos. “A linha do editorial é desdobrada na manchete do jornal, que investe contra o programa que busca aliviar as dívidas das famílias e prega que aliviar as dívidas pode levar a outras dívidas”, disse.
O editorial do Estado de São Paulo analisa o cenário político e econômico, afirmando que candidaturas de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não apresentaram propostas consistentes, limitando-se à rejeição ao petismo.
O texto destaca, por exemplo, a entrevista do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), apontando falta de detalhamento em sua agenda econômica. Segundo o jornal, há uma dificuldade recorrente entre nomes da direita em formular um projeto nacional estruturado.
No diagnóstico apresentado, o jornal sustenta que o Brasil enfrenta desafios históricos, como baixo crescimento e limitações no modelo de gasto público. A partir disso, defende o ajuste fiscal como eixo central de qualquer estratégia econômica.
O editorial afirma que “ser anti-Lula não constitui, por si só, uma proposta de país” e cobra maior clareza das candidaturas sobre medidas econômicas, incluindo contenção de gastos e reformas estruturais.
Também são citados outros nomes do campo conservador, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo o jornal, evita assumir compromissos concretos com políticas de ajuste.
Histórico recente e debate econômico
O texto revisita ainda o governo Jair Bolsonaro (PL), apontando que promessas de reformas liberais não se concretizaram plenamente. O jornal menciona a ampliação de programas sociais, como o Auxílio Brasil, e ressalta contradições entre discurso fiscal e prática política.
Para o Estado de São Paulo, a ausência de um programa econômico claro compromete a credibilidade das candidaturas e reforça a necessidade de um novo rumo para o país, baseado em políticas de ajuste e reformas alinhadas às demandas do mercado.
Já Gleisi Hoffmann rebate essa visão e atribui ao jornal uma postura alinhada ao sistema financeiro. “Tudo isso em um jornal que está literalmente penhorado com vários bancos. É por isso que desde FHC nunca mais ganharam uma eleição”, afirmou.
Com informações do Brasil247
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