Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prevê novos desdobramentos da investigação; bilionário Beto Sicupira é o principal investigado pela fraude
247 – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação pretende esgotar todas as linhas de investigação relacionadas à fraude contábil que levou ao colapso financeiro das Americanas, um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil. As declarações foram feitas nesta sexta-feira durante evento promovido pela Associação Encontro com a Imprensa Internacional (AIE), segundo reportou a Reuters.
Na quinta-feira, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, cumprindo mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento no esquema de fraude contábil que teria produzido um rombo estimado em R$ 54 bilhões na varejista. Entre os alvos da operação estão os empresários Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira — este também um dos principais acionistas da Ambev —, além de executivos ligados aos bancos Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, segundo fontes com conhecimento da investigação.
PF apreendeu documentos, celulares e computadores
Ao comentar a operação, Andrei Rodrigues ressaltou que o material apreendido poderá ampliar significativamente o alcance das investigações.
“O importante é dizer que vamos procurar exaurir tudo aquilo que temos que investigar em relação a esse caso (Americanas). Isso não quer dizer que seja um inquérito interminável, mas que muitas vezes tem desdobramentos”, afirmou.
Segundo o diretor-geral da PF, a fase ostensiva realizada nesta semana teve como objetivo reunir provas capazes de esclarecer a dinâmica da fraude.
“Nesse caso, cumprimos uma etapa ostensiva da investigação, com o recolhimento de documentos, celulares e computadores que podem eventualmente trazer novas informações”, declarou.
Fraude bilionária continua produzindo novos desdobramentos
A fraude contábil nas Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências bilionárias em seus balanços financeiros, desencadeando uma crise que culminou no pedido de recuperação judicial da empresa e em diversas investigações nas esferas policial, judicial e regulatória.
A nova etapa da Operação Disclosure indica que as autoridades continuam aprofundando a apuração para identificar responsabilidades de ex-executivos, empresários e demais envolvidos na suposta manipulação das demonstrações financeiras da companhia.
Americanas e bancos afirmam colaborar com as investigações
Em nota, a Americanas informou que não foi alvo da operação desta semana e reiterou que vem colaborando integralmente com as autoridades.
Já os acionistas de referência da empresa afirmaram ter sido surpreendidos pela ação da Polícia Federal. Segundo eles, as investigações realizadas até o momento demonstram que foram “continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”.
Os bancos Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco também declararam que colaboram com as investigações e enfatizaram que não são alvos da apuração conduzida pela Polícia Federal.



