Avanço obtido na Refinaria Duque de Caxias recebeu reconhecimento internacional e representa mais um passo no desenvolvimento de combustíveis com menor impacto ambiental.
Ceilândia em Alerta – A Petrobras anunciou, nesta terça-feira (27), um avanço na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), com uma redução de 23,8% na intensidade de carbono do produto fabricado a partir de óleo de milho. O resultado foi alcançado pela Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, e confirmado durante um processo internacional de recertificação realizado na primeira quinzena de outubro.
A melhoria está relacionada a mudanças na gestão das fontes de hidrogênio utilizadas no processo produtivo. Segundo a estatal, os ajustes permitiram diminuir a intensidade de carbono associada ao hidrogênio em 29%, contribuindo diretamente para o desempenho ambiental do combustível.
O resultado foi reconhecido por uma auditoria internacional do setor de aviação, que avaliou os procedimentos adotados pela refinaria e sua adequação aos critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e governança.
Com os avanços, a Petrobras afirma que o combustível produzido na Reduc passou a apresentar uma das menores intensidades de carbono entre os combustíveis sustentáveis de aviação disponíveis no mercado.
O que é o combustível sustentável de aviação?
O SAF, sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel, é um combustível desenvolvido para reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas ao transporte aéreo.
Sua produção pode utilizar diferentes matérias-primas e processos tecnológicos, incluindo óleos de origem vegetal, resíduos e outras fontes alternativas aos combustíveis fósseis convencionais.
O objetivo é diminuir o impacto climático da aviação, um setor que enfrenta desafios para reduzir suas emissões devido à dependência de combustíveis de alta densidade energética.
Entretanto, a sustentabilidade do SAF não depende apenas da origem da matéria-prima.
Também é necessário considerar as emissões geradas durante a produção, o processamento, o transporte e outras etapas da cadeia de fornecimento.
Por isso, a intensidade de carbono é um indicador importante para avaliar o desempenho ambiental desses combustíveis.
Mudanças no uso do hidrogênio melhoraram o resultado
No caso da Refinaria Duque de Caxias, a redução foi obtida principalmente por meio de melhorias na gestão das fontes de hidrogênio empregadas na fabricação.
O hidrogênio participa de processos industriais de refino e pode ter diferentes níveis de emissões associados à sua produção.
Segundo a Petrobras, o aperfeiçoamento dessa etapa permitiu uma redução de 29% na intensidade de carbono do insumo.
Essa mudança contribuiu para diminuir em 23,8% a intensidade de carbono do SAF produzido a partir do óleo de milho.
É importante destacar que a redução anunciada se refere à intensidade de carbono do combustível, e não a uma diminuição de 23,8% de todas as emissões da Petrobras ou da aviação brasileira.
Certificação internacional reforça exigências ambientais
A recertificação internacional confirmou as melhorias adotadas pela refinaria e o alinhamento dos procedimentos aos critérios utilizados para avaliar combustíveis sustentáveis.
O processo também considerou aspectos relacionados à rastreabilidade e à governança da produção.
Para a Petrobras, o reconhecimento representa um avanço na preparação da empresa para atender às exigências ambientais do mercado internacional.
O diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França, destacou que a redução das emissões associadas ao SAF exige melhorias contínuas nos processos industriais, além da utilização de matérias-primas certificadas.
Segundo o executivo, o aprimoramento das operações e das práticas de sustentabilidade pode ampliar a participação da companhia no mercado de combustíveis renováveis e de baixo carbono.
Avanço integra desafios da transição energética
O desenvolvimento de combustíveis com menor intensidade de carbono faz parte das alternativas estudadas para reduzir os impactos ambientais do transporte aéreo.
Embora o SAF possa contribuir para a diminuição das emissões ao longo de seu ciclo de vida, sua utilização não elimina completamente os impactos climáticos da aviação.
A efetividade ambiental depende de fatores como origem dos insumos, consumo de energia, tecnologia empregada e critérios de certificação.
Além disso, a ampliação da produção exige investimentos, disponibilidade de matérias-primas sustentáveis e capacidade de atender à demanda do setor.
Nesse contexto, o resultado alcançado pela Reduc representa um avanço técnico relevante, mas não significa que a aviação tenha se tornado livre de emissões.
A inovação anunciada pela Petrobras demonstra como mudanças nos processos industriais podem melhorar o desempenho ambiental de combustíveis já em desenvolvimento.
A expectativa da estatal é que esses aperfeiçoamentos contribuam para sua adaptação às futuras exigências regulatórias e para a expansão de alternativas energéticas de menor intensidade de carbono.
Fonte: Agência Brasil



