Ao analisar o caso envolvendo o Banco Master e a contratação da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Jorge Folena afirmou que, embora não exista ilegalidade na atuação profissional de familiares, houve uma falha grave de prudência institucional por parte do magistrado.
“Não é que não possa a mulher do ministro Moraes exercer a advocacia. É que o ministro, quando tomou conhecimento dessa contratação, deveria ter dito: nós não devemos seguir à frente.”
Para Folena, o problema central não é jurídico, mas ético e institucional. “Ele deveria ter aconselhado que ela não seguisse adiante nessa contratação. Isso deixou o ministro totalmente exposto, como estamos vendo agora.”
O analista ressaltou que, em um país marcado por disputas de poder econômico e político, ministros do Supremo precisam agir com extremo cuidado para não comprometer a credibilidade da Corte.
“Essas situações são usadas pela classe dominante para atacar instituições quando elas deixam de servir aos seus interesses.”
Folena lembrou que esse não é um episódio isolado no Judiciário brasileiro. “Já tivemos o caso do ministro Cássio pegando avião de cantor, indo para a Grécia. São sucessivos casos que vão sendo divulgados.”
Segundo ele, esses episódios criam um ambiente de fragilidade institucional que acaba sendo explorado politicamente pela elite econômica e pela mídia corporativa.
“Isso é empregado pela classe dominante para distorcer e desviar o foco do que realmente importa”, frisou.
Na avaliação de Folena, o foco que está sendo retirado do debate público é o aprofundamento da responsabilização da Lava Jato e do sistema que permitiu sua atuação.
“Eles conseguiram tirar de cena a responsabilização da Lava Jato, que estava sendo retomada. Isso é o que realmente ameaça interesses poderosos.”
O jurista também afirmou que esse tipo de desgaste seletivo contra ministros serve para proteger estruturas mais profundas de poder.
“Enquanto se expõe Moraes ou Toffoli, sai de cena a discussão sobre o orçamento, sobre o parlamento que trabalha para o imperialismo e para a classe dominante.”
Para Folena, o caso Master não deve ser analisado de forma isolada, mas como parte de um jogo político maior.
“Se há algum rastro, eles vão pegar isso para colar no governo federal e usar na guerra política que está em curso”, concluiu.
Originalmente publicado em Brasil247
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