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Entenda por que a China barrou a compra de uma empresa de IA por Mark Zuckerberg

Decisão de Pequim contra aquisição da Manus pela Meta reflete preocupação com segurança tecnológica, dados estratégicos e soberania industrial

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A decisão do governo chinês de impedir a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, empresa liderada por Mark Zuckerberg, colocou em evidência as disputas globais em torno da soberania tecnológica e do controle de ativos estratégicos no setor de IA.

Segundo editorial publicado pelo Global Times, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China anunciou em 27 de abril que o mecanismo de revisão de segurança para investimentos estrangeiros decidiu proibir a operação e determinou a revogação do acordo. A avaliação oficial classificou a medida como “razoável, legal e necessária”, alinhada às práticas internacionais de proteção de setores sensíveis.

A Manus, desenvolvida pela startup Butterfly Effect, ganhou notoriedade em março de 2025 ao lançar o que foi descrito como o primeiro agente geral de inteligência artificial do mundo. O produto rapidamente se tornou um fenômeno no setor, com códigos de acesso sendo revendidos por valores elevados e comparações com outras plataformas inovadoras chinesas.

Pouco tempo depois, no entanto, a empresa promoveu mudanças significativas em sua estrutura. Transferiu sua sede para Singapura, reduziu drasticamente sua equipe na China e encerrou suas operações no país. Em dezembro do mesmo ano, a Meta anunciou a intenção de adquirir a Manus por cerca de US$ 2 bilhões, tornando a operação uma das maiores da história da empresa.

Preocupações com tecnologia e talentos

Desde o início, o acordo gerou controvérsia. Um dos principais pontos de preocupação foi o fato de a Manus, construída com base em engenharia, dados e infraestrutura chineses, aparentemente se desvincular de suas origens após receber investimento estrangeiro.

China controla sua soberania digital
China controla sua soberania digital(Photo: Brasil 247)

Especialistas apontaram a possibilidade de uma estratégia conhecida como “lavagem via Singapura”, que poderia ser usada para contornar regulações chinesas. Além disso, houve questionamentos sobre o modelo de aquisição, com críticas indicando que o valor do negócio estaria mais ligado à equipe do que à empresa em si — prática conhecida como acquihiring, comum no setor de tecnologia.

Base legal e soberania tecnológica

De acordo com o editorial, a decisão da China não se enquadra no conceito de “jurisdição extraterritorial”, frequentemente citado por críticos. O ponto central não seria o local de registro da empresa, mas sim sua ligação com tecnologia, talentos e dados originados no país.

Como a pesquisa e desenvolvimento da Manus ocorreu na China e seus dados têm origem no território chinês, qualquer transferência internacional desses ativos estaria sujeita a revisões de segurança. A legislação chinesa prevê esse tipo de controle, incluindo regras sobre exportação de tecnologias sensíveis e investimentos estrangeiros em setores estratégicos.

Nesse contexto, Pequim argumenta que possui base legal sólida para intervir na operação, visando proteger seus interesses industriais e de desenvolvimento.

Prática alinhada ao cenário internacional

O texto também rebate críticas de que a decisão teria motivação geopolítica contra empresas dos Estados Unidos. Segundo o Global Times, países como Estados Unidos, União Europeia e Japão também adotam mecanismos rigorosos de revisão de investimentos, especialmente em áreas como inteligência artificial, dados e biotecnologia.

Nos últimos anos, essas análises passaram a abranger não apenas fusões e aquisições, mas também novos projetos e investimentos em setores considerados estratégicos. Assim, a medida chinesa seria compatível com práticas internacionais.

Ambiente de negócios e atração de investimentos

O bloqueio da operação não significa, segundo o editorial, um fechamento da economia chinesa. O país afirma continuar ampliando a abertura ao capital estrangeiro, reduzindo restrições e incentivando investimentos em áreas como serviços e manufatura avançada.

A lógica, segundo Pequim, é que estabelecer limites claros em setores sensíveis contribui para aumentar a previsibilidade e a confiança de investidores no longo prazo. Economias como a dos Estados Unidos e da União Europeia mantêm políticas semelhantes sem deixar de atrair investimentos globais.

Disputa global pela liderança em IA

A decisão ocorre em um momento em que a inteligência artificial se tornou o epicentro de uma nova revolução industrial. A China aposta em sua ampla base de mercado, cadeias produtivas completas e crescente capacidade de inovação para se consolidar como um dos principais polos globais do setor.

O editorial conclui destacando que o país continua sendo um ambiente fértil para o desenvolvimento tecnológico e expressa a expectativa de que empresas inovadoras — incluindo a própria Manus — possam crescer dentro desse ecossistema, desde que respeitem as regras estabelecidas.

A medida, portanto, vai além de um simples veto empresarial: ela reflete uma estratégia mais ampla de proteção de ativos críticos em um cenário de competição tecnológica cada vez mais intensa entre grandes potências.

Com informações do Brasil247

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