O presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, defendeu uma redução da taxa básica de juros no Brasil e afirmou que o país reúne fundamentos para entrar em um novo ciclo de crescimento com menor custo de capital. Em entrevista ao programa CNBC Parlatório Talks, do Times Brasil, apresentado por Carlos José Marques, exibido em 27 de abril, Trabuco afirmou que a Selic tem “uma certa gordura” que pode ser usada para aliviar o custo do crédito e melhorar a solvência de empresas e famílias.
“Nós temos na taxa básica uma gordura que possa ser usada nesse momento”, disse o executivo. Segundo ele, fatores como dólar abaixo de R$ 5, queda do risco Brasil e inflação “bem comportada” indicam espaço para uma política monetária menos apertada.
Juros altos comprometem empresas e famílias
Trabuco afirmou que juros excessivos podem prejudicar até mesmo a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito. “Quando a taxa de juro é muito alta, corre-se o risco de não receber o principal”, disse.
O executivo também destacou que o volume de crédito para pessoas físicas e jurídicas no Brasil gira em torno de trilhões de reais, o que torna o custo do capital decisivo para a economia real.
“Nós do sistema financeiro brasileiro e nós do Bradesco em particular gostamos de taxa que caibam no custo, no bolso das pessoas que tomam o crédito”, afirmou.
Crítica à descoordenação entre política fiscal e monetária
Ao avaliar a política econômica, Trabuco defendeu maior coordenação entre política fiscal e monetária. Para ele, não é confortável ter uma política fiscal expansionista enquanto a política monetária atua de forma fortemente contracionista.
“Não é difícil ter uma política fiscal que pise no acelerador e uma política monetária que pise no freio. A direção não fica muito confortável”, afirmou.
Segundo o executivo, a alta da taxa de juros de patamares próximos a 2% para níveis muito elevados “machuca principalmente” empresários que tomaram crédito para investir e apostar no Brasil.
Sistema financeiro é sólido, diz Trabuco
Questionado sobre a situação do sistema financeiro brasileiro, Trabuco disse que o setor é “sólido” e “robusto”, mas defendeu atenção permanente do Banco Central às estruturas de capital dos bancos.
Sobre o caso Banco Master, ele afirmou que o Fundo Garantidor de Crédito cumpriu seu papel ao evitar que situações específicas contaminassem a confiança dos depositantes.
“O surgimento do Fundo Garantidor de Crédito nos anos 90 criou um colchão de segurança”, disse.
Bradesco aposta em saúde e inteligência artificial
Trabuco também falou sobre a estratégia do Bradesco na área de saúde. Segundo ele, o banco consolida sua atuação no setor com a criação da BR de Saúde, que deverá reunir seguros, clínicas, medicina diagnóstica, tecnologia, inteligência artificial, Odontoprev e hospitais.
“Chegou a hora de fazer uma consolidação da criação da BR de Saúde, que será o mais completo sistema de saúde do Brasil”, afirmou.
O executivo disse que a empresa deve ser listada no mercado em maio, após autorizações regulatórias.
Ele também defendeu o papel da saúde suplementar como complemento ao SUS. “O SUS é um exemplo brasileiro de afirmação, modelo para o mundo”, afirmou, acrescentando que a saúde privada pode desonerar o Estado.
Brasil pode mudar de patamar
Ao final da entrevista, Trabuco demonstrou otimismo com o futuro do país. Ele afirmou que o Brasil tem mercado interno forte, capacidade de resposta e condições de avançar com crescimento sustentável.
“A visão que nós temos do Brasil para frente é uma visão muito positiva”, disse. “Confiar em Deus e confiar no Brasil”, concluiu.
Com informações do Brasil247
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