Desmatamento cai em 2025. Cerrado sofre mais

De acordo com o Mapbiomas, áreas devastadas no ano passado ficaram abaixo de um milhão de hectares pela primeira vez desde 2019. Mas a savana brasileira é a responsável por 55% dessa destruição, causada, sobretudo, pela fronteira agrícola

desmatamento no país ficou abaixo de um milhão de hectares no acumulado de 2025. É a primeira vez que isso acontece desde 2019 — ano de início da série histórica —, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil de 2025, divulgado ontem pelo MapBiomas. Foram devastados 984.794 hectares no ano passado, queda de pouco mais de 20% em relação a 2024. Apesar de todos os biomas brasileiros apresentarem redução da área degradada, o Cerrado foi o que teve a maior destruição pelo terceiro ano consecutivo.

Mesmo com uma redução de 16,9%, a savana brasileira é responsável por mais da metade do total desmatado no Brasil em 2025, com 55%. Foram 540.614 hectares desflorestados, quase o dobro da área desmatada na Amazônia no mesmo período. Perdeu-se 1.482 hectares de vegetação nativa diariamente. 

O Pantanal teve a maior queda proporcional na devastação, na comparação com o ano anterior — redução de 48,4% e total de 12.260 hectares desmatados. A Amazônia e a Caatinga registraram queda superior a 20% na área devastada de um ano para outro.Play Video

A área média desmatada no Brasil foi de 2.698 hectares por dia. Isso dá cerca de 112 hectares por hora, o que equivale a 17 parques do Ibirapuera — o maior parque urbano da cidade de São Paulo — desmatados por dia. Na Amazônia, o desmatamento foi de 792 hectares/dia. Nos últimos sete anos, o Brasil perdeu 10.913.064 hectares de vegetação nativa, área superior ao estado de Pernambuco.  

A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e Mato Grosso respondem por mais de 63% da área total desmatada em 2025. O Maranhão puxa a fila pelo segundo ano consecutivo, representando 15,7% (154.294 hectares) do desmatamento em 2025. No ano anterior, desmatou 218.380 hectares. 

São Paulo (67,3%) e Paraná (59,2%) tiveram os maiores crescimentos relativos na área desmatada entre 2024 e 2025. O Distrito Federal registrou um aumento de 216%, embora a área total seja pequena (de 31 hectares para 99).

Agropecuária

De acordo com o relatório, o desmatamento causado pelo avanço da fronteira agropecuária foi responsável por 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos. Respondeu, em 2025, por 99% da área desmatada — 974.469 hectares. Procurada pelo Correio para comentar essa constatação, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não respondeu até o fechamento desta edição.

A expansão urbana é responsável por um aumento de 7% na área desmatada. O Cerrado foi o bioma mais impactado por esse tipo de expansão.

Dentro de áreas de conservação, foram registrados 46.257 hectares de vegetação nativa suprimida em 2025 — redução de 21,4% em relação ao ano anterior. As UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e municipais) perderam 55,8%, com 2.034 hectares desmatados.

Cerrado foi o bioma mais afetado, pois concentrou 43,5% de todo o desmatamento em UCs (20.160 hectares). Quase a totalidade (97,4%) dessa destruição ocorreu em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A APA do Rio Preto (BA), com grande parte de seu território no Cerrado, foi a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025 — avanmço de 44% em relação a 2024.

*Estagiário sob a supervisão de Fabio Grecchi

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