Chefe de gabinete de Milei renuncia em meio a investigação por enriquecimento ilícito

Manuel Adorni afirmou que deixa o governo com a “consciência tranquila”, apesar das investigações sobre sua evolução patrimonial

O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Manuel Adorni, anunciou neste sábado (27) que deixará o cargo, em meio às investigações sobre a evolução de seu patrimônio e seus gastos pessoais.

Em uma carta divulgada na rede social X, Adorni afirmou que a decisão foi tomada apesar da vontade do presidente.

“Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, vou contra a sua vontade”, escreveu. Na sequência, afirmou que encerra esse ciclo “com a consciência tranquila” e em paz.

Considerado um dos principais aliados de Milei, Adorni foi escolhido para atuar como porta-voz do governo logo no início da gestão, em dezembro de 2023. Em novembro do ano passado, assumiu a chefia de gabinete e passou a ocupar um dos cargos mais importantes do governo.

Nos últimos meses, porém, o ministro passou a ser alvo de investigações por suspeita de enriquecimento ilícito. Entre os questionamentos estão viagens feitas com a família, como férias em Aruba durante o Natal, em passagens de primeira classe, além de um deslocamento em jato particular para o Uruguai no Carnaval.

Presidente da Argentina, Javier Milei

Adorni nega qualquer irregularidade. Segundo ele, o patrimônio foi constituído antes de integrar o governo e todas as despesas pessoais foram pagas com recursos próprios.

Apesar da defesa, o chefe de gabinete admitiu neste mês, em entrevista ao jornal La Nación, que manteve durante anos valores não declarados às autoridades fiscais. Segundo ele, as declarações de bens de 2023 e 2024 foram retificadas para incluir cerca de US$ 500 mil que não haviam sido informados anteriormente.

“Faço um mea culpa por ter arrastado um erro involuntário e vou pagar tudo o que for devido”, afirmou.

Antes da renúncia, Milei havia saído em defesa de seu auxiliar. Em entrevista ao La Nación, em maio, o presidente afirmou que “de jeito nenhum Adorni sairia” do governo e disse que não pretendia “condenar um inocente”.

A saída de Adorni ocorre em um momento de desgaste para o governo argentino, que enfrenta denúncias de suposta corrupção envolvendo integrantes da administração e vê a popularidade de Milei recuar em meio às dificuldades econômicas.

Pesquisa da Opina Argentina divulgada em maio mostrou que 39% dos eleitores têm uma imagem positiva do presidente. Há pouco mais de um ano, esse índice era de 53%.

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