Com 99% das urnas apuradas, Bolsonaro registrou 55% dos votos, contra 45% dos votos de Fernando Haddad.
Bolsonaro venceu as eleições mais manipuladas da história recente do país. Com as manobras judiciais e a tutela das Forças Armadas, para que as eleições fossem continuidade e aprofundamento do golpe institucional de 2016, Bolsonaro se beneficiou da radicalização do sentimento antipetista e do derretimento da direita tradicional (especialmente da catástrofe do PSDB).
Bolsonaro expressou uma radicalização do discurso religioso, prometendo ataques a direitos democráticos. Em seu primeiro discurso após o resultado das urnas no segundo turno rezou e fez várias referências religiosas, e jurou por Deus realizar as reformas contra os trabalhadores que o mercado financeiro deseja. Em seu discurso após o primeiro turno deixou assentada uma marca de sua campanha uma radicalização anti-esquerda prometendo prender ou expulsar os “vermelhos” do país.
Será o 8º presidente brasileiro desde a transição da ditadura; abre-se um novo ciclo no país. A burguesia tratará de alterar a relação de forças entre as classes, apontando o programa escravista de Bolsonaro na têmpora dos trabalhadores e da população pobre. Seu programa é de violenta continuidade das reformas de Temer, aprofundando a retirada de direitos com a reforma trabalhista, ataque às aposentadorias e privatizações de todas estatais para favorecer o imperialismo.
Isso não significa que terá terreno livre para isso; Bolsonaro venceu as eleições, mas as massas que fizeram experiência com os ataques de Temer, e associam a piora de suas condições de vida ao golpe, não aceitarão pacificamente os ajustes. É preciso nos organizar para enfrentar a continuidade violenta do golpe.
A vantagem de Bolsonaro caiu durante a semana prévia ao segundo turno, diminuindo sua margem de vitória. Se é verdade que a situação política gira mais à direita com uma figura reacionária que será a continuidade violenta dos ataques de Temer, também é verdade que esse declínio na reta final indica que a luta de classes se fará presente já nos primeiros momentos de seu mandato.
As bolsas de valores responderam em alta com o triunfo de Bolsonaro. Os aplausos do banco estadunidense Goldman Sachs revelam que os chefes do capital financeiro mundial, donos da dívida pública brasileira que rouba R$ 1 trilhão do país por ano. O capital estrangeiro, em primeiro lugar o norte-americano, esperam superexplorar a classe trabalhadora, arrancar as riquezas nacionais e suas principais empresas, como a Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica e os Correios.
A equipe de banqueiros e empresários milionários que comporá parte do gabinete de Bolsonaro terá uma função especial: trucidar cada ponto dos direitos trabalhistas, acabar com a CLT, escravizar a população através da generalização da terceirização do trabalho, em especial a população negra e indígena, que Bolsonaro e Hamilton Mourão odeiam. Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, dono da Ambev; Alexandre Bettamio, presidente executivo para a América Latina do Bank Of America; João Cox, presidente do conselho de administração da TIM; e Sergio Eraldo de Salles Pinto, da Bozanno Investimentos: estes são alguns dos capitalistas que junto a latifundiários e financistas buscarão fazer os trabalhadores pagarem pela crise.
Apesar de já ter declarado à televisão que se fosse eleito presidente fecharia o Congresso, apoiando a ditadura militar e a tortura, num ódio repulsivo às mulheres, aos negros, aos indígenas, à comunidade LGBT, agora Bolsonaro esconde essa cara e posa de “democrático” (numa eleição abertamente manipulada). Mas não podemos nos enganar. Seu vice Mourão não mente quando diz que quer acabar com o 13º salário. Bolsonaro não mente quando diz que quer acabar com todas as empresas estatais e flexibilizar todos os direitos trabalhistas muito mais do que Temer já fez.
Sem dúvida os trabalhadores não tem nenhum interesse no programa econômico ultraneoliberal de Bolsonaro e Paulo Guedes, que já prometeram privatizar a empresa dos Correios, atacar os salários, cortar o “custo trabalhista” para que os empresários demitam e explorem a bel prazer os trabalhadores, as mulheres e a juventude.
Limites para o programa ultraneoliberal de Bolsonaro
Pesquisa DataPoder360 nos dias 17 e 18 de outubro de 2018 indica que apenas 37% dos eleitores de Bolsonaro acham que “o governo deve vender todas ou partes” das empresas estatais. Para 44% dos bolsonaristas, é melhor manter tudo sob controle do Estado. Só 30% dos eleitores de Bolsonaro são a favor de o governo vender a Petrobras. Outros 60% dizem que a Petrobras deve continuar sob o controle do governo.
Em pesquisa do início de 2018, esmagadores 86% da população eram contrários à reforma da previdência, que Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, dizem ser “prioridade número 1”.
Não há dúvida que Bolsonaro terá inúmeras contradições para governar, e isso será uma oportunidade para que as lutas dos trabalhadores emerjam e se enfrentem com os capitalistas e a direita. O reacionário ex-capitão, mesmo fazendo todas as alianças fisiológicas que já arquitetou com os partidos mais corruptos do país, como o DEM de Rodrigo Maia, paladino da reforma da previdência:
1) Na semana prévia ao segundo turno Bolsonaro viu sua vantagem decrescer, e sua rejeição aumentar, depois de suas declarações fascistas contra os “vermelhos”, e as ameaças de seu filho sobre o fechamento do STF. Saindo com uma vantagem de apenas 10%, terá mais dificuldade em aplicar os ajustes que pretende. 2) Terá que lidar com a queda por terra de toda a sua demagogia “antissistema” e “anticorrupção” na medida em que tenha que compôr uma base parlamentar com o bando de mafiosos que sustentou o governo Temer, e estabelecer com o Congresso o balcão de negócios que tanto criticou ao PT. 3) Parte importante de sua maioria eleitoral não é consciente de que seu governo será muito pior do que o de Temer em termos de ataques, destruição de direitos, e piora das condições de vida. Contradição essa que tende a se agudizar ainda mais com a escalada de demagogia que está fazendo no segundo turno, para conter os eleitores lulistas que ganhou no primeiro, dizendo que vai dar décimo terceiro ao Bolsa Família, e que não vai aumentar os impostos aos mais pobres. 4) As idas e vindas de Bolsonaro, indo de dizer que irá privatizar todas as empresas públicas, a reconhecer que manteria seus “núcleos estratégicos”, são uma antecipação dos conflitos que existirão no programa ultraliberal de Paulo Guedes e os interesses estratégicos de setores militares e da burguesia brasileira.
Não é possível combater seu governo, que representa os “donos do país” e a submissão ao imperialismo estrangeiro, sem uma enorme força organizada, em cada local de trabalho e estudo, com um programa anticapitalista e socialista que tenha influência sobre os setores de massas que vieram enfrentando Bolsonaro nos últimos meses.
Para enfrentar essa dinâmica sabemos que o PT é completamente impotente. Depois de governar por anos com os capitalistas, assimilando seus métodos de corrupção e se vangloriando de garantir a eles lucros inauditos, quis mostrar que ainda podia servi-los começando o segundo mandato de Dilma com a aplicação dos ajustes contra a classe trabalhadora, e com isso terminou de desmoralizar sua própria base social, abrindo caminho ao golpe que colocou Temer no governo para avançar mais rapidamente com os ataques. Sua estratégia puramente eleitoral, de contenção da luta de classes, para canalizar o descontentamento para o terreno dos votos, terminou sendo incapaz de oferecer qualquer resistência séria ao golpe institucional. Uma vez na oposição, sua política de responder ao ódio destilado pela Lava Jato e pela Rede Globo com ilusões no Poder Judiciário e nas eleições terminou sendo completamente impotente para frear o avanço da extrema direita.
Para combater seriamente o avanço da extrema direita e do golpismo, necessitamos exigir dos sindicatos, das centrais sindicais, entidades estudantes e populares que impulsionem comitês de base para organizar a resistência e preparar uma grande paralisação nacional combinada com mobilizações de rua em todo o país. Nestes comitês e nesta organização da classe trabalhadora e da juventude precisamos lutar para derrubar todas as reformas reacionárias do governo Temer e criar um grande movimento pelo não pagamento da dívida pública, para que haja recursos para as obras públicas, a saúde e a educação.
Só poderemos combater seriamente Bolsonaro com um programa que responda de forma radical às verdadeiras angústias da maioria explorada e oprimida do país. A única resposta radical e realista, é a que defenda a mobilização dos sindicatos e movimentos sociais para fazer retroceder o avanço autoritário e impor que os capitalistas paguem pela crise. O MRT e o Esquerda Diário combateu de forma independente do PT cada passo do golpismo, colocamos toda sua energia a esse combate contra Bolsonaro, a extrema-direita, o golpismo e as reformas.
magem: Hélvio Romero
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