A ex-ministra Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado por São Paulo, afirmou que não pretende ser vice de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo paulista e que seu papel será atuar como ponte entre o agronegócio, o centro político e a frente ampla em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista ao Valor Econômico, Tebet disse que sua candidatura ao Senado faz parte de uma articulação conduzida por Lula e que sua prioridade é fortalecer o palanque nacional. “Eu só sou candidata se for ao Senado”, afirmou. “Meu compromisso maior e primeiro é com a campanha de Lula.”
A ex-ministra, que deixou o MDB após quase 30 anos e se filiou ao PSB, transferiu seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. Segundo ela, sua trajetória e seu perfil de centro podem ajudar a reduzir resistências ao governo no interior paulista e no setor agropecuário.
“Sou a que mais dialoga com o centro, o agronegócio. Sou uma mulher do interior, conheço como pensa a mulher do interior. Somos solidárias, cristãs, humanas, mas somos mais conservadoras”, declarou.
Tebet rejeita papel de vice
Questionada sobre a possibilidade de compor a chapa de Haddad como vice, Tebet foi direta. “Já fui vice e o papel de um candidato a vice é muito diferente e menor, inclusive, no que se refere à voz, a ser ouvida, a fazer a diferença, do que o papel de um candidato ao Senado”, disse.
Ela afirmou já ter conversado com Haddad sobre o assunto e sustentou que poderá contribuir mais como candidata ao Senado. “É muito mais fácil eu ajudar a frente ampla sendo pré-candidata ao Senado.”
Apesar de Haddad ser filiado ao PT, Tebet destacou seu perfil moderado. “Haddad pode estar no PT, mas ele tem visão e um posicionamento muito de centro. Tem perfil moderado, equilibrado, dialoga.”
Ponte com o agronegócio
Tebet afirmou que o agronegócio ainda carrega uma “memória antiga” de conflitos com a esquerda, especialmente em temas como invasões de terra e demarcações indígenas. Para ela, essa percepção precisa ser enfrentada com dados e diálogo.
“Vamos mostrar que nenhum governo fez e atuou tanto para o agronegócio quanto Lula. Seja na subvenção, seja no financiamento, numa relação equilibrada entre a agricultura familiar e o grande agro. Nunca faltou suporte. O que faltava e agora não falta mais era uma ponte.”
A ex-ministra também defendeu que as invasões ficaram no passado. “Houve um amadurecimento do governo e dos movimentos sociais. O MST senta à mesa, conversa, dialoga. O Brasil não gosta de baderna, não gosta de invasão.”
STF, impeachment e reformas
Na entrevista, Tebet defendeu que o Supremo Tribunal Federal precisa rever seu papel antes que o Congresso imponha mudanças. Ela falou em autocontenção dos Poderes e defendeu uma reforma do Judiciário acompanhada de reforma política.
“O Supremo é só mais um Poder e é preciso que os Três Poderes voltem para suas caixinhas”, afirmou.
Sobre impeachment de ministros do STF, Tebet disse que ninguém está acima da lei, mas fez distinção entre crimes e divergências de interpretação jurídica.
“Se um presidente da República pode ser ‘impichado’, ninguém está acima da lei. Quem é suprema é a instituição, não os seus membros.”
Ajuste fiscal e revisão de gastos
Tebet também reconheceu que o governo deveria ter avançado mais na revisão de gastos, mas afirmou que o cenário de 2023 dificultou esse processo.
“Deveria, mas daria para fazer? Acho difícil. Pegamos em 2023 um orçamento fictício”, disse.
Para 2027, ela defendeu um ajuste fiscal mais forte e a redução gradual dos gastos tributários, que estimou em cerca de R$ 600 bilhões. “Não temos desculpa para não fazer um ajuste fiscal maior.”
Segurança pública e crítica à extrema-direita
Na área de segurança pública, Tebet criticou a posição da direita e defendeu coordenação nacional contra o crime organizado.
“Para eles, bandido bom é bandido morto. Para mim, bandido bom é bandido preso.”
Ela também afirmou que o crime organizado depende de redes transnacionais e não pode ser combatido apenas por forças estaduais. Segundo Tebet, a PEC da Segurança deveria ser apoiada por governadores.
“Crime transnacional não se combate só com polícias militar e civil, mas com organização nacional.”

Com informações do Brasil247
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