A entidade denunciou que a proposta de Trump aumentará os danos à região do Oriente Médio
O movimento de resistência Jihad Islâmica Palestina denunciou nesta segunda-feira (29) que o plano de paz para a Faixa de Gaza discutido entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é uma receita para desestabilizar o Oriente Médio, informou o canal PressTV.
Por sua vez, o Hamas criticou o plano por se aproximar dos interesses de Israel e afirmou, de acordo com o canal: “Não aceitaremos nenhuma proposta que não inclua o direito dos palestinos à autodeterminação”.
De acordo com a proposta de Trump, será criado um conselho internacional presidido por ele mesmo. A ideia é anistiar integrantes do Hamas que entregarem as armas.
Em tese, a possibilidade da criação de um Estado palestino no futuro está prevista na proposta. O controle de Gaza seria posteriormente cedido à Autoridade Palestina, mas ainda precisam ser fornecidos mais detalhes sobre como forças militares, políticos e representantes da economia norte-americana atuaram no território ao longo dos anos.
De acordo com o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, mais de 66 mil palestinos morreram vítimas dos ataques israelenses desde outubro de 2023. Em 22 de agosto, a ONU disse que mais de meio milhão de pessoas em Gaza estão passando fome. Foi a primeira vez que a fome foi declarada no Oriente Médio.
Hamas
Representante do Hamas, Mahmoud Mardawi reiterou nesta segunda-feira que o grupo ainda não recebeu o plano de paz para Gaza escrito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ele fez as observações em uma entrevista à Al Jazeera Mubasher TV logo após a coletiva de imprensa conjunta de Trump com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na qual o israelense expressou apoio ao plano dos EUA.
Contexto
Em dezembro de 2023, a África do Sul levou ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) uma denúncia contra Israel relacionada às operações militares na Faixa de Gaza. O governo sul-africano pediu medidas cautelares imediatas contra autoridades israelenses, sustentando que as ações configurariam violações da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.
Na acusação, Pretória argumentou que os ataques, assim como as omissões de Israel, representariam práticas genocidas. Tel Aviv, por sua vez, rejeitou a denúncia, alegando estar apenas exercendo o direito de defesa diante de atentados terroristas. O Brasil manifestou apoio à iniciativa sul-africana.
Em janeiro de 2024, o TIJ determinou que Israel deveria adotar providências para evitar qualquer forma de genocídio em Gaza, responsabilizar indivíduos que incitassem esse tipo de crime e assegurar a entrada de ajuda humanitária na região. Contudo, a corte não atendeu ao pedido da África do Sul para suspender imediatamente a ofensiva militar. O processo conta com a adesão de vários países, entre eles o Brasil.
Meses depois, em novembro de 2024, o tribunal expediu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contra o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e também contra dirigentes do Hamas, acusando-os de crimes de guerra. Tanto o governo israelense quanto o grupo palestino negam as acusações (com Reuters).
Com informações do Brasil247
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