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Caetano e Bethânia levam MPB ao centro do Grammy 2026

Indicados a Melhor Álbum de Música Global, os irmãos baianos disputam o Grammy com nomes centrais da cena mundial e recolocam a música brasileira no radar da principal premiação da indústria fonográfica

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Caetano e Bethânia realizaram um show conjunto que é um verdadeiro monumento à MPB
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A Crypto.com Arena, em Los Angeles, recebe no próximo domingo (1º) a 68ª edição do Grammy Awards, e o Brasil chega à cerimônia com uma presença simbólica e rara. Caetano Veloso, 83, e Maria Bethânia, 79, concorrem juntos na categoria de Melhor Álbum de Música Global com Caetano & Bethânia Ao Vivo, registro da turnê que reuniu os irmãos quase cinco décadas depois de sua última colaboração de grande porte.

Em um prêmio historicamente mais fechado à produção brasileira — sobretudo fora do circuito latino — a indicação carrega peso artístico e político: reafirma a relevância da MPB em um cenário cada vez mais dominado por produtos globais anglófonos e pelo pop de alto giro comercial.

O reencontro que virou documento histórico

Gravado durante a turnê realizada entre agosto de 2024 e março de 2025, o álbum indicado captura um momento singular da música brasileira. Caetano e Bethânia revisitam clássicos como Alegria, AlegriaOs Doces Bárbaros e Gente, mas o fazem sem nostalgia fácil. O espetáculo aposta em novos arranjos, banda numerosa e uma dramaturgia de palco que transforma o show em narrativa sobre memória, família e trajetória artística.

Mais do que um produto ao vivo, o disco funciona como documento cultural: celebra a longevidade criativa de dois artistas centrais do tropicalismo e reafirma a MPB como linguagem viva, capaz de dialogar com plateias contemporâneas.

Uma categoria em disputa global

A categoria de Melhor Álbum de Música Global — antiga World Music — reúne, em 2026, um painel diverso da produção musical fora do eixo pop norte-americano. Caetano e Bethânia enfrentam o nigeriano Burna Boy, um dos artistas africanos mais populares do mundo; o senegalês Youssou N’Dour, referência histórica da música africana; a britânico-indiana Anoushka Shankar; o grupo indo-jazz Shakti; e o indiano Siddhant Bhatia.

A concorrência revela a própria tensão da categoria: equilibrar tradição, inovação e apelo internacional. Nesse contexto, o álbum brasileiro se destaca menos pelo virtuosismo técnico e mais pela força simbólica de uma obra que traduz história, identidade e continuidade artística.

Trajetórias desiguais, reconhecimento tardio

A indicação também evidencia contrastes nas trajetórias dos irmãos dentro do Grammy. Maria Bethânia chega à sua primeira nomeação na premiação aos 79 anos, apesar de ser uma das maiores intérpretes da música brasileira. Caetano, por sua vez, soma agora seis indicações e dois prêmios, conquistados com Livro e como produtor de João Voz e Violão, de João Gilberto.

O dado expõe uma assimetria recorrente: artistas brasileiros frequentemente alcançam reconhecimento internacional tardiamente, quando não são relegados ao circuito latino, mesmo com obras de impacto global.

O Brasil e o desafio do Grammy “não latino”

Desde 1992, apenas cinco artistas brasileiros venceram a categoria hoje chamada de Música Global. O histórico inclui nomes como Sérgio Mendes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso e João Gilberto. Desde então, o Brasil tem sido presença esporádica, enquanto países africanos e asiáticos ampliaram espaço na premiação.

A indicação de Caetano & Bethânia Ao Vivo recoloca o debate sobre a visibilidade internacional da música brasileira fora do rótulo latino e sobre os limites do próprio conceito de “música global” adotado pela Academia.

Entre prestígio e incerteza

As chances de vitória são reais, mas longe de garantidas. Burna Boy surge como favorito pelo alcance global e pela atualidade de sua obra; Anoushka Shankar e Youssou N’Dour carregam o peso do reconhecimento histórico. Ainda assim, Caetano e Bethânia contam com o prestígio acumulado e com uma obra que dialoga com a ideia de legado — um critério informal que, não raramente, pesa nas votações do Grammy.

Independentemente do resultado, a indicação já cumpre um papel estratégico: reafirma a MPB como patrimônio cultural de alcance internacional e lembra que a música brasileira segue capaz de disputar espaço, não como exotismo, mas como expressão artística de primeira grandeza.

Com informações do Vermelho

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