Em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta apresentada pelo Irã para o alívio do conflito. A oferta iraniana previa a reabertura do Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval americano, mas Washington exige, primeiro, o fim do programa nuclear de Teerã.
Em entrevista ao site Axios, Trump descartou concessões imediatas, afirmando que o bloqueio é mais eficaz que bombardeios. “Eles querem resolver. Eu não quero suspender o bloqueio, porque não quero que eles tenham uma arma nuclear”, insistiu Trump sobre o pretexto que utiliza para manter a ofensiva.
A postura agressiva foi reforçada em postagem na rede Truth Social, na quarta-feira (29). Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial na qual o político de quase 80 anos de idade aparece transfigurado em uma versão militarizada de si mesmo, armado e em cenário de guerra, com explosões ao fundo. A construção visual abandona o decoro institucional de chefe de Estado e o posiciona como protagonista de ação, em um enquadramento típico de propaganda bélica. A frase “Chega de ser bonzinho!” aparece em destaque, funcionando como síntese da ruptura com a diplomacia e afirmação do uso da força que ele quer que seja levada a sério.
Na mensagem que acompanha a publicação, Trump afirmou que as autoridades iranianas “não sabem como assinar um acordo não nuclear” e que deveriam “agir com inteligência logo”, reforçando o tom de ultimato dirigido a Teerã.
A recusa de Trump foi imediata e repercutiu como um balde de água fria nas esperanças de desescalada. Fontes de segurança iranianas, citadas pela Press TV (emissora oficial do Irã), responderam que “o contínuo pirataria marítima e banditismo americano na forma do chamado ‘bloqueio naval’ logo será respondido com ação prática e sem precedentes.”
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou: a paciência de Teerã “tem limite” e uma “resposta punitiva é necessária” se Washington insistir na medida ilegal.
Divergências que alimentam o impasse
No centro do conflito está uma divergência estratégica profunda. O Irã propunha um acordo em etapas: primeiro, suspender o bloqueio naval e reabrir Ormuz para aliviar a asfixia econômica; depois, discutir o programa nuclear. Washington, ao contrário, exige desmantelamento do programa nuclear iraniano antes de qualquer alívio no bloqueio. Trump deixou claro que o estrangulamento marítimo é a principal alavanca para forçar Teerã a ceder. O resultado é um impasse que mantém o conflito em estágio de escalada controlada — mas altamente instável.
Impacto econômico e eleitoral
O custo da postura militarista de Washington já reflete nos cofres públicos. O Pentágono avalia que a guerra contra o Irã já consumiu US$ 25 bilhões — aproximadamente R$ 125 bilhões na cotação atual. O gasto astronômico ocorre a seis meses das eleições de meio de mandato, nas quais os republicanos enfrentam dificuldades para manter a maioria na Câmara. Os democratas ganham espaço nas pesquisas ao vincular a impopularidade da guerra e o custo de vida ao governo Trump.
Apesar do cerco em Ormuz, dados de rastreamento mostram que alguns petroleiros iranianos conseguiram furar o bloqueio nos últimos dias. Analistas também contestam a retórica de Washington, que tenta classificar os oleodutos iranianos como ‘ameaças à segurança’. Para os especialistas, essa é uma manobra para justificar a destruição da economia civil do Irã, utilizando a asfixia financeira como uma arma de guerra e chantagem política para forçar a rendição de Teerã.
Agressão israelense e o mapa da ocupação
Enquanto o impasse persiste, as ações militares de Israel, principal aliado dos EUA, agravam a crise humanitária. O governo israelense tenta expandir o território ao consolidar uma “zona restrita” no sul do Líbano, alegando tratar-se de área para ajuda humanitária. Contudo, os fatos contradizem a versão oficial.
Israel não respeita o cessar-fogo e, em março, provocou a morte de pelo menos três funcionários de organizações internacionais que prestavam serviços humanitários: dois do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e um da Organização Mundial da Saúde (OMS). O exército de Israel justificou os ataques alegando “ameaças próximas”, argumento recorrentemente utilizado para atingir infraestruturas civis.
No último domingo (26), a violência atingiu cidadãos brasileiros. Um bombardeio em Burj Qalowayh, no sul do Líbano, matou a brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, seu filho Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai libanês, Ghassan Nader. O Itamaraty condenou o ataque.
Israel divulgou um mapa de sua “nova linha de implantação” no sul do Líbano, que avança sobre território soberano. O desenho assemelha-se à estratégia aplicada na Faixa de Gaza, onde o controle militar israelense já atinge 11% do território através de zonas restritas e demolições.
Enquanto Trump mantém o bloqueio e utiliza fantasias digitais para inflamar a retórica de guerra, o risco de um erro de cálculo regional cresce. O cenário é de uma asfixia econômica que pune populações civis e uma expansão territorial israelense que desconsidera acordos de cessar-fogo que se configura como crime de guerra.
Com informações do Vermelho
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