O deputado Lindbergh Farias afirmou que há um “acordão vergonhoso” em curso no Congresso Nacional com o objetivo de frear investigações sensíveis e garantir proteção a Jair Bolsonaro e militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, um dia depois da reprovação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, numa articulação comandada por Davi Alcolumbre.
Logo no início, Lindbergh fez um ataque direto ao Legislativo. “É hora de desmascarar o Congresso inimigo do povo. É hora de revelar a verdade”, disse. Segundo ele, a articulação envolve setores do bolsonarismo e do Centrão e tem dois objetivos centrais: impedir o avanço de investigações e evitar punições a lideranças políticas e militares.
Investigações sob pressão
De acordo com o parlamentar, há incômodo crescente entre esses grupos com operações recentes. “O que tá acontecendo é um acordão vergonhoso entre bolsonarismo e centrão com dois objetivos: barrar as investigações da Polícia Federal”, afirmou.
Ele citou especificamente a chamada operação “carbono oculto”, que, segundo suas palavras, teria atingido “o andar de cima do crime organizado, sistema financeiro, PCC, gente da política”. Também mencionou investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Receita Federal envolvendo o Banco Master.
Para Lindbergh, esse cenário remete a episódios anteriores da política brasileira. “É como se Romero Jucá lá atrás falou: ‘É preciso estancar essa sangria’. É como se isso tivesse voltado”, declarou, sugerindo uma tentativa de interrupção de apurações em curso.
Proteção a Bolsonaro e militares
O deputado também afirmou que o segundo objetivo do suposto acordo é político e jurídico. “O ponto dois é livrar a cara de Jair Bolsonaro e dos generais golpistas”, disse.
Segundo ele, a movimentação mais recente envolve a tentativa de derrubar o veto relacionado à dosimetria de penas. Lindbergh criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e alegou que houve demora proposital na convocação de sessões do Congresso.
“O Alcolumbre não chamava a sessão do Congresso. Por quê? Porque tinha medo”, afirmou. Ele também acusou setores do PL de atuarem de forma contraditória em relação à criação de uma CPMI.
Críticas à articulação no Congresso
Na avaliação do parlamentar, promessas de investigação feitas por aliados do bolsonarismo não passam de retórica. “Tudo conversa furada. Nunca quiseram. Fizeram um acordão, vai tá lá os bolsonaristas calados, em silêncio, sem falar da CPMI, do master”, disse.
Lindbergh defendeu que a sociedade precisa reagir ao que chamou de tentativa de blindagem. Ele relembrou episódios recentes em que mobilizações populares teriam alterado decisões políticas.
“Vocês lembram quando eles vieram com a PEC da blindagem? Eles aprovaram na Câmara, a gente foi pras ruas, as ruas derrotaram a PEC da blindagem”, afirmou.
Apelo à mobilização popular
O deputado também mencionou disputas envolvendo política tributária e criticou o que chamou de postura do Congresso contra medidas de justiça fiscal. “O Congresso inimigo do povo não queria a taxação dos mais ricos e a gente virou o jogo”, disse.
Para ele, o momento atual exige nova mobilização. “Agora é hora novamente da gente fazer esse movimento, de revelar o que tá acontecendo por trás, esse grande pacto que estão fazendo para tentar impedir as investigações”, afirmou.
Confiança no avanço das investigações
Apesar das críticas, Lindbergh demonstrou confiança no andamento das apurações e no governo do presidente Lula. “Eles vão perder. A sociedade vai se levantar e o governo do presidente Lula não vai baixar a cabeça”, declarou.
O deputado concluiu afirmando que as tentativas de interferência não terão sucesso. “Se tudo que estão fazendo é para paralisar as ações da Polícia Federal, eles estão enganados. As investigações vão avançar e a verdade vai aparecer, os nomes vão aparecer. Doa a quem doer”, disse.
Com informações do Brasil247
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