Justficativa para ataques é o combate ao tráfico internacional de drogas. Nesta semana, EUA passou a classificar PCC e CV como terroristas
Chegou a 202 o número de mortos em operações dos Estados Unidos no Oceano Pacífico desde setembro, quando começaram as ações. Nesta sexta-feira (29/5), o exército do país anunciou que mais três supostos narcotraficantes morreram em uma das ações que integram a Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul.
Como nos outros ataques, o país alega que a inteligência confirmou que o navio estava transitando por rotas conhecidas de tráfico de narcóticos e estava envolvido em operações de tráfico de drogas. Mas, sem apresentar provas.
Os ataques são contra as chamadas Organizações Terroristas Designadas, mesma classificação recebida pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho na quinta-feira (28/5). É exatamente a justificativa do combate ao tráfico de drogas usada para a inclusão das duas facções brasileiras na lista. Ao todo, 19 organizações da América Latina já receberam a classificação, entre elas cartéis mexicanos, colombianos e venezuelanos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) tem alertado que os ataques letais provocados pelos Estados Unidos podem constituir crimes internacionais. “Esses ataques não parecem ter sido realizados no contexto de legítima defesa nacional, de um conflito armado internacional ou não internacional, nem contra indivíduos que representem uma ameaça iminente à vida, violando, portanto, o direito internacional fundamental dos direitos humanos que proíbe a privação arbitrária da vida”, afirmam especialistas da ONU.
Em outubro, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse que os ataques não encontram amparo no direito internacional. “Com base nas escassas informações divulgadas publicamente pelas autoridades americanas, nenhum dos indivíduos nos barcos visados parecia representar uma ameaça iminente à vida de outras pessoas ou justificar o uso de força armada letal contra eles sob a lei internacional”, destacou.
PCC e CV nos EUA
Nesta sexta-feira (29/5), a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, disse que o FBI (polícia federal dos EUA) e outras organizações governamentais monitoram a atuação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 12 estados norte-americanos, sem especificar quais.
Os Estados Unidos, contudo, não estão entre os principais destinos do tráfico brasileiro. A maior parte da droga que sai do Brasil vai para a Europa.
Segundo dados da Comissão de Portos e Aeroportos da Câmara Criminal do MPF (2CCR), relativos a 2024, sobre a atuação no maior aeroporto do país, o de Guarulhos, indicam que dos casos mapeados, os destinos mais frequentes dos voos interceptados foram a França, com 123 apreensões; Portugal, com 47; e Catar, com 35. A droga mais apreendida é a cocaína. Já no caso em que o destino era o Brasil, o entorpecente mais apreendido foi a anfetamina.
Dados da Polícia Federal mostram que no ano passado foram apreendidos 3.992 quilos de entorpecentes. Do total, aproximadamente 46% correspondem à cocaína, com a Europa como principal destino. Enquanto cerca de 52% são derivados de THC, como haxixe e skunk, provenientes principalmente da América do Norte e da Ásia, tinham o Brasil como destino final.
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