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Lula embarca nesta semana rumo a Argentina para assumir a presidência do Mercosul

Mercado Comum do Sul foi criado em 1991 e reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia, além de países associados

Conclusão do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia é prioridade da gestão brasileira na presidência do bloco.

Nos dias dois e três de julho, na Argentina, será realizada a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá do país anfitrião a presidência pró tempore (temporária) do bloco, cujo exercício do cargo vai até o final do primeiro semestre de 2026.

“Consolidar uma tarifa externa comum entre os países do Mercosul, incluir os setores automotivo e açucareiro nos acordos do bloco e lançar um plano ambiental e de fortalecimento da segurança pública são alguns dos planos que estão na agenda do presidente Lula à frente do bloco para promover a integração regional”, explicou a secretária de América Latina e Caribe do ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan.

A embaixadora ressalta que o Mercosul “ocupa papel estratégico na política externa brasileira”. E reforça também a importância que o Brasil atribui ao Mercosul, ao destacar que “o objetivo maior é promover a integração regional, que é um objetivo constitucional, histórico e atual do presidente Lula e da diplomacia brasileira”.

A conclusão do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia, pendente há mais de duas décadas, é outra prioridade da gestão brasileira na presidência do bloco. Gisele afirma que “temos a expectativa de assinar o acordo com a União Europeia”. E lembra que o presidente Lula “está fortemente empenhado, junto ao presidente Emmanuel Macron, para que esse acordo seja finalmente concluído”.

A diplomata brasileira destaca a necessidade de “modernizar o Mercosul, para que seja atualizado com vistas a responder às necessidades do momento”. Ela pontua como um dos desafios para o próximo período, a inserção da Bolívia, que teve seu ingresso aprovado pelos parlamentares dos países do bloco, cujo prazo para concluir a incorporação é de quatro anos. O Mercosul existe há 34 anos.

Gisela lembrou que a força negociadora conjunta “fortalece a posição e amplia o protagonismo do bloco em negociações internacionais”. Segundo ela, “sozinhos, negociações com grandes blocos seriam mais fragilizadas”. Ressalta, ainda, que “juntos somos mais fortes para nos colocarmos globalmente”, e conclui: “o Brasil considera que o nosso protagonismo global deve ter uma base regional forte e o Mercosul é a base dessa base”.

Comércio brasileiro no Mercosul

Segundo o Itamaraty, de janeiro a maio de 2025, o comércio do Brasil com países do bloco chegou à casa dos U$ 17,5 bilhões, o equivalente a quase R$ 100 bilhões. As exportações brasileiras foram superiores a U$ 10 bilhões, enquanto as importações ficaram em torno dos U$ 7,2 bilhões, com um superávit próximo dos U$ 3 bilhões para a economia do país.

Veículos automotores para transporte de mercadorias e de passageiros, trigo e centeio não moído e energia elétrica estão entre os principais produtos importados pelo Brasil. Já os mais exportados para países do bloco são automóveis, mercadorias diversas, produtos da indústria de transformação e minério de ferro, entre outros.

Buscar medidas para equacionar as assimetrias existentes entre os países do bloco é outra meta brasileira à frente do Mercosul. Para isso, Brasília pretende lançar a segunda fase do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, (o Focem 2), que a diplomata brasileira encara como “instrumento importante para resolver desequilíbrios entre as economias dos países sul-americanos”

Compromisso do Brasil

O Mercado Comum do Sul foi criado em 1991 e reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia, além de países associados. Mais de três mil normativas em áreas que vão de comércio a saúde e energia estabelecem normas de funcionamento do bloco.

Fomentar a paz está entre as prioridades do Mercosul que garante benefícios como livre circulação de pessoas, reconhecimento previdenciário e alinhamento de normas sanitárias, sustentado por recursos naturais estratégicos, como o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do planeta.

Agora no comando do Mercosul, o Brasil renova mais uma vez seu compromisso com a integração latino-americana e com formas de desenvolvimento capazes de unir competitividade, justiça social e sustentabilidade. Reforça, com isso, a imagem do país como articulador de consensos em meio a um cenário internacional cada vez mais polarizado.

Com informações do PT Org.

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