Ministério da Saúde anuncia ações para adaptar o SUS às mudanças climáticas

Com planejamento até 2035, governo quer tornar a rede pública mais resiliente diante do avanço dos eventos extremos e fortalecer resposta ao El Niño

As mudanças climáticas já pressionam o sistema de saúde brasileiro e exigem uma transformação estrutural na forma como o país enfrenta emergências ambientais. Com esse diagnóstico, o Ministério da Saúde apresentou, nesta terça-feira (30/6), durante coletiva de imprensa, um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), chamado de AdaptaSUS.

O plano prevê 93 ações com execução até 2035 para ampliar a capacidade da rede pública de antecipar riscos, proteger a população vulnerável e responder com mais rapidez aos impactos provocados por ondas de calor, enchentes, secas, queimadas e outros eventos extremos. A estratégia também considera os efeitos esperados do fenômeno El Niño, cuja intensidade pode variar entre moderada e severa nos próximos meses.

Durante a apresentação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a proposta vai além das respostas emergenciais. O objetivo é estruturar um sistema permanentemente preparado para enfrentar crises climáticas.

Segundo o ministério, em vez de pensar na resposta quando acontece alguma tragédia, a ideia é ter um SUS pensado para estar sempre preparado para qualquer evento que possa acontecer e que rapidamente possa se mobilizar para isso. O plano abrange ampliar sistemas de alerta, identificar riscos em cada território, reforçar a organização dos serviços e garantir que estados e municípios tenham condições de agir antes que uma situação se transforme em desastre.

Urgência

Os dados apresentados durante a coletiva reforçam a urgência da iniciativa. De acordo com o ministério, um em cada 12 hospitais brasileiros está sob alto risco de paralisação em decorrência de eventos climáticos extremos. No cenário mundial, uma em cada quatro mortes está relacionada a fatores ambientais. No Brasil, estimativas da Fundação Oswaldo Cruz apontam cerca de 120 mil óbitos associados ao calor extremo entre 2000 e 2019.

Além disso, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, com aumento das temperaturas médias e maior frequência de ondas de calor em diversas regiões do país. Segundo a equipe técnica, o El Niño tende a potencializar esse cenário, provocando seca mais intensa no Norte e em parte do Centro-Oeste, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste devem enfrentar episódios de chuvas fortes e maior risco de desastres.

Painel de excesso de calor

Entre as principais iniciativas está a criação dos Centros Integrados de Saúde e Clima, que utilizarão informações de saúde pública combinadas com dados meteorológicos para antecipar situações de risco, emitir alertas precoces e apoiar gestores na tomada de decisões.

A implantação inicial ocorrerá em sete municípios e no estado da Bahia, contemplando diferentes perfis climáticos do país. Também foi lançado o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que reúne indicadores de temperatura, umidade do ar e vulnerabilidade social para prever, com até cinco dias de antecedência, áreas sujeitas a impactos mais severos. O sistema permitirá identificar municípios e populações com maior exposição aos riscos, orientando profissionais de saúde, gestores e moradores sobre medidas preventivas.

Outra frente anunciada envolve o fortalecimento da capacidade operacional do SUS. A Força Nacional do SUS será ampliada para contar com oito bases regionais distribuídas pelas cinco regiões brasileiras, reduzindo o tempo de deslocamento em situações de emergência. O plano também prevê reforço nos estoques de medicamentos, vacinas, água potável e insumos estratégicos, além da integração entre Ministério da Saúde, Defesa Civil, estados e municípios por meio de salas de situação permanentes.

Fonte: Correio Braziliense

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