Os Estados Unidos determinaram que todas as suas embaixadas e consulados no mundo iniciem campanhas coordenadas para enfrentar o que classificam como propaganda estrangeira hostil, além de incentivar o uso da plataforma X, de Elon Musk, como instrumento “inovador” nesse processo, segundo documento oficial obtido pelo jornal britânico The Guardian. A orientação, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, detalha ações amplas para conter a desinformação e reforçar a narrativa americana no exterior.
O documento também recomenda que missões diplomáticas atuem em parceria com a unidade militar de operações psicológicas dos Estados Unidos, conhecida como Military Information Support Operations (Miso), vinculada ao Pentágono. A iniciativa ocorre em meio a tensões geopolíticas envolvendo países como Irã, Rússia e China, que, segundo o governo norte-americano, mantêm estratégias sofisticadas de influência e desinformação direcionadas a aliados dos EUA.
O plano estabelece cinco objetivos principais: combater mensagens consideradas hostis, ampliar o acesso à informação, expor ações de adversários, promover vozes locais alinhadas aos interesses norte-americanos e fortalecer a narrativa oficial dos Estados Unidos no cenário internacional. Para isso, as embaixadas são orientadas a recrutar influenciadores, acadêmicos e líderes comunitários em diferentes países, com o objetivo de difundir conteúdos que reforcem a posição americana de forma mais orgânica.
O documento afirma que campanhas estrangeiras buscam “transferir a culpa para os Estados Unidos, semear divisão entre aliados, promover visões de mundo alternativas contrárias aos interesses americanos e até prejudicar interesses econômicos e liberdades políticas dos EUA”. Ainda segundo o texto, essas ações utilizam plataformas digitais, mídias controladas por governos e operações de influência, representando “uma ameaça direta à segurança nacional dos Estados Unidos e alimentando a hostilidade contra seus interesses”.
Outro ponto relevante da diretriz é a recomendação explícita para que as representações diplomáticas coordenem suas ações com o setor militar de operações psicológicas — uma prática considerada incomum na diplomacia tradicional, que historicamente mantém certa separação entre estratégias civis e militares.
A iniciativa surge após mudanças recentes na estrutura norte-americana de combate à desinformação. O Global Engagement Center, responsável por financiar ações desse tipo em governos anteriores, perdeu recursos pouco antes do retorno de Donald Trump à presidência. Além disso, o FBI encerrou sua força-tarefa dedicada à influência estrangeira, e o Departamento de Estado desativou uma unidade voltada ao monitoramento de manipulação informacional internacional.
O documento também destaca a plataforma X, especialmente o recurso Notas da Comunidade, como uma ferramenta eficaz e “baseada em colaboração” para combater a desinformação “sem comprometer a liberdade de expressão ou a privacidade”. A menção ocorre em meio a críticas internacionais à rede social, que já foi multada pela União Europeia em 120 milhões de euros por práticas consideradas enganosas e segue sob investigação por seus algoritmos e ferramentas de inteligência artificial.
Outro aspecto enfatizado é a necessidade de tornar visível a origem da ajuda externa norte-americana. O texto orienta que programas e iniciativas financiados pelos EUA utilizem “marcação proeminente com bandeira”, garantindo que o público local identifique claramente a origem do apoio.
As embaixadas também foram instruídas a ampliar a distribuição de notícias internacionais e análises independentes traduzidas para idiomas locais, especialmente em países onde “a propaganda antiamericana é generalizada ou onde o acesso à informação é restrito”. Nesse contexto, mais de 700 centros culturais conhecidos como “American Spaces” deverão ser reposicionados como plataformas de acesso a informações sem censura, promovidas como zonas de liberdade de expressão.
Com informações do Brasil247
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