O PT prepara uma ofensiva digital direcionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com início previsto para abril, em meio a um cenário de alerta no Palácio do Planalto diante de pesquisas que apontam empate técnico entre o parlamentar e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral deste ano. A estratégia inclui a mobilização de equipes para intensificar a atuação nas redes sociais e atingir especialmente o eleitorado de centro, segundo Paulo Cappelli, do Metrópoles.
A cúpula petista organizou um “pente-fino” em temas considerados sensíveis à imagem de Flávio Bolsonaro e definiu um cronograma para iniciar os ataques de forma mais contundente.
Nos bastidores, o partido decidiu adiar o início da ofensiva mais agressiva até o fim da chamada janela partidária e do prazo de desincompatibilização, encerrado em 4 de abril. A avaliação de lideranças petistas é de que antecipar os ataques poderia provocar uma reorganização da direita e prejudicar a estratégia eleitoral, explica Igor Gadelha, do Metrópoles. A expectativa também envolve a definição do cenário adversário, especialmente quanto à possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Enquanto aguarda esse marco, o PT já prepara o terreno com a produção de conteúdos digitais, como vídeos curtos, depoimentos e documentos, que devem circular intensamente nas redes sociais. O objetivo é ampliar o desgaste do senador junto ao eleitorado moderado e frear o crescimento político observado nos últimos meses.
Entre os temas que serão explorados estão investigações relacionadas ao esquema das chamadas “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e questionamentos sobre a suposta influência de Flávio Bolsonaro na administração de hospitais federais no estado. A estratégia também inclui a retomada de materiais que apontam possíveis irregularidades em contratos e nomeações.
Além disso, o partido pretende reforçar os indícios de enriquecimento incompatível e conexões políticas do senador no Rio de Janeiro. Outra frente será a comparação direta entre Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro (PL), buscando associar a imagem do parlamentar ao legado político do pai.
A ofensiva também deve explorar episódios recentes, como a participação de Flávio Bolsonaro na conferência conservadora CPAC, realizada em Dallas, nos Estados Unidos, onde o senador defendeu monitoramento internacional das eleições brasileiras. O episódio é visto por petistas como um ponto de crítica, com a intenção de associar o adversário a posições consideradas contrárias à soberania nacional.
Em declarações públicas, lideranças do PT têm evitado antecipar o confronto direto. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou recentemente: “Quem governa tem que governar. Não temos que atacar ninguém”.
Ainda assim, a expectativa interna é de que o tom da campanha seja elevado logo após a Semana Santa, marcando o início de uma fase mais incisiva na disputa política. Em paralelo, declarações de figuras históricas do partido também reforçam o embate. Durante evento recente, o ex-ministro José Dirceu afirmou que, caso Flávio Bolsonaro vença as eleições, “quem vai governar o Brasil será o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”.
Com a estratégia estruturada e cronograma definido, o PT aposta na intensificação da comunicação digital e no confronto político direto para tentar conter o avanço do senador no cenário eleitoral.
Com informações do Brasil247
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