Presidente fez a declaração durante lançamento da plataforma Tela Brasil e reforçou discurso em defesa da soberania nacional
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (30) que a esquerda brasileira deve voltar a utilizar as cores verde e amarelo durante a Copa do Mundo para evitar que os símbolos nacionais sejam associados exclusivamente à extrema direita. A declaração foi feita no Rio de Janeiro, durante o lançamento da plataforma pública de streaming Tela Brasil.
Ao iniciar seu discurso, Lula comentou o casaco amarelo da seleção brasileira usado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), e defendeu que os setores progressistas retomem a identificação com as cores da bandeira nacional, amplamente associadas nos últimos anos a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Você [Cavaliere] precisa colocar o verde e amarelo e colocar ‘não bolsonarista’. Essa é uma coisa que a esquerda vai ter que aprender a fazer. A gente vai ter que, nessa Copa do Mundo, andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”, declarou Lula, sob aplausos do público presente.
Logo após a fala do presidente, o ator e escritor Paulo Betti, que participava do evento ao lado de outros artistas, ergueu uma bandeira brasileira no palco.
Durante a cerimônia, Lula também destacou a recuperação da imagem internacional do Brasil e associou esse processo à valorização da soberania nacional. Em diferentes momentos do discurso, o presidente ressaltou a importância do respeito ao país no cenário global.
“O Brasil hoje ganhou muita respeitabilidade. Sabe por quê? Porque quem quiser ser respeitado tem que se respeitar. Ninguém respeita quem não se respeita”, afirmou.
Em outra passagem, acrescentou: “Não somos mais feios, não somos mais baixos, não somos menos inteligentes. Nós somos iguais a todo mundo”.
O presidente também voltou a criticar processos de privatização realizados nas últimas décadas. Sem citar novos casos específicos, mencionou a venda da BR Distribuidora pela Petrobras como exemplo de uma medida que, segundo ele, não trouxe benefícios à sociedade brasileira.
As declarações ocorreram durante o lançamento do Tela Brasil, novo serviço público de streaming voltado exclusivamente para a difusão da produção audiovisual nacional. A plataforma foi apresentada por Lula e pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante a programação do Rio2C, um dos principais eventos de criatividade e inovação da América Latina.
Ao defender o fortalecimento da cultura brasileira, o presidente convocou artistas e produtores a contribuírem para ampliar a presença da produção nacional.
“Ajudem esse país a fazer a revolução que ele não fez, a revolução cultural para que esse país tecnicamente seja dono do seu nariz, da sua história e das suas coisas”, disse.
Desenvolvida pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a plataforma Tela Brasil tem como objetivo ampliar o acesso gratuito da população ao audiovisual brasileiro. O serviço já está disponível por meio do portal telabrasil.cultura.gov.br, integrado ao sistema gov.br.
Nesta primeira etapa, a plataforma funciona apenas na versão web. Os aplicativos para dispositivos iOS e Android devem ser disponibilizados nas próximas semanas.
O catálogo inicial reúne mais de 560 produções, incluindo curtas, médias e longas-metragens, séries e documentários. Entre os conteúdos disponíveis estão clássicos do cinema nacional, obras indicadas ao Oscar e produções contemporâneas de diferentes regiões do país. O serviço também oferece recursos de acessibilidade, como audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras.
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