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Chacina escancara fracasso de Castro

Reimont responsabiliza governador pelas mortes, inclusive de policiais

O número de mortes da chacina de Claudio Castro nos Complexos do Alemão e da Penha não para de subir. Os moradores, sem qualquer apoio do estado, buscam, recolhem e choram a maioria dos corpos, em uma corrente de solidariedade; a Defesa Civil, único órgão estatal que restou no território, se limita a levar os mortos para IML. Depois da invasão e do morticínio, as comunidades foram abandonadas, como se não existissem.

Essa é a política de segurança de Castro – muito espalhafato, falta de compaixão humana e abandono.

Desde a sua posse, em 2021, o Rio de Janeiro sofre com massacres convivendo com a expansão contínua do crime organizado, em muitas disputas, principalmente, entre as milícias e o Comando Vermelho. As milhares de operações letais de Castro – só em 2025 foram mais de 350 -, não conseguiram reverter esse quadro, não produziram nada além de fracassos, mentiras e politicagem. As vítimas dessas operações já somam quase duas mil pessoas, entre civis e policiais. Quanto ao resultado para a população, não passa de zero, sem qualquer melhoria na segurança. Ao contrário, só piora.

As operações policiais não conseguiram deter o crime organizado, nem recuperar terreno. O número de áreas sob influência de grupos criminosos (milícias e tráfico) cresceu cerca de 17%, do final de 2019 ao início de 2024. Um estudo do Conselho Nacional de Justiça, de 2024, aponta que, no ano passado, já eram 1.700 localidades em todo o estado do Rio de Janeiro sob o comando das facções. 

Em 2008, as áreas dominadas representavam 8,8% dos 2.565,98 km² de área urbana habitada da região metropolitana do Rio de Janeiro (retiradas a cobertura vegetal, áreas rurais e bacias hidrográficas); em 2023, já eram de 18,2%, segundo o Instituto Fogo Cruzado.

Tiros, medo, mortes e criminalização da população pobre, preta e periférica são cortina de fumaça para encobrir o fracasso de uma política de segurança baseada em confrontos espetaculosos em favelas e comunidades.  

Todas as vítimas da mais recente chacina de Castro levam a assinatura do governador, inclusive as mortes e ferimentos (dois, ainda em estado grave) dos policiais. Foi extremamente mal planejada. Como disse Debora Velloso, mãe do jovem investigador da Polícia Civil Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, morto na ação: “Aquele infeliz do Cláudio Castro sabia que os policiais não tinham condição de encarar o CV. Meu filho só tinha 40 dias de corporação!”. Sem preparo, sem treinamento, foram lançados numa aventura eleitoreira.

Como considerar bem-sucedida uma operação que só conseguiu prender dois ou três suspeitos de pertencerem à alta hierarquia do tráfico nos dois complexos? Como elogiar uma operação que vazou quatro horas antes de acontecer, abrindo caminho para a fuga de dezenas de criminosos – estes, sim, da cúpula da gerência local da facção? Qual o êxito de uma operação que mirou mais em mortes do que em prisões, que mirou no menor escalão do crime e nos inocentes, inviabilizando até a continuidade de investigações? 

Há evidências robustas de execução. Mesmo que fossem todos criminosos, isso é inadmissível, deveriam ser presos, investigados e condenados. 

Como chamar de bem planejada uma operação que não conseguiu produzir um único relatório decente sobre os seus resultados, que muda as versões ao sabor das descobertas de terceiros, especialmente dos moradores das favelas e da imprensa? O Secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, chegou ao cúmulo de dizer que as forças de segurança não retiraram os mais de 70 corpos encontrados na mata “porque não sabiam da existência deles. Quando acontece confronto em uma área de mata, muitos baleados acabam adentrando ainda mais, buscando ajuda, e a gente não consegue atender essa demanda”, disse, sem ruborizar.

Enquanto isso, centenas de familiares se desesperam sem poder sequer cumprir o ritual sagrado de velar e enterrar seus mortos.

Quatro dias após paralisar o Rio e assombrar a cidade com as dezenas de corpos enfileirados, Claudio Castro permanece com a expressão impassível dos que desprezam a vida e a verdade. Em auto-elogio, promove uma reunião com governadores ideologicamente aliados, todos iguais, fazendo, mais uma vez, politicagem eleitoreira.

Morte não é política de segurança. Satisfaz algumas pessoas, mas não traz benefícios coletivos. Para enfrentar o crime organizado, como tem insistido o governo Lula desde o início do ano, é preciso inteligência, planejamento, cooperação nacional e combate aos esquemas de financiamento e lavagem de dinheiro – e lavagem de dinheiro e esquemas de financiamento não estão nas periferias. A PEC da Segurança, que Claudio Castro repudiou, oferece tudo isso. É hora de pressionar por sua aprovação. PEC da Segurança já!

Com informações do Brasil 247

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