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Festival Viramundo promove arte e resistência antimanicomial no centro de Brasília neste fim de semana

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Programação gratuita inicia neste sábado (4) e reúne roda de conversas, vivência e apresentações culturais

No próximo sábado (4) e domingo (5), das 13h às 19h, a Feira da Torre de TV, em Brasília (DF), será palco da primeira edição do Festival Viramundo. Criado por usuários e trabalhadores da Rede de Saúde Mental do Distrito Federal, o evento gratuito reúne arte, cultura popular e práticas de cuidado em saúde mental como estratégia de resistência à lógica manicomial

O Festival Viramundo nasce como um espaço de encontro entre cultura popular, música, teatro de rua e cuidado em saúde mental. Idealizado por profissionais e usuários da Rede de Saúde Mental do DF, o evento foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e conta também com apoio institucional da Subsecretaria de Saúde Mental.

A programação inclui rodas de conversa, vivências artísticas, cortejos musicais e intervenções teatrais, além de atividades permanentes e interativas como a confecção de estandartes e cartazes. Entre as atrações, destacam-se grupos como o Bloco do Rivotril, o coletivo Rataria Lunática e a intervenção Atravessa a Porta.

Uma das propostas centrais do festival é a valorização da produção estética como forma de ampliar o lugar social das pessoas com sofrimento psíquico. Para Márcia Henning, produtora artística do festival, “a arte oferece outras linguagens de expressão e permite que a pessoa encontre um lugar onde ela é reconhecida para além do adoecimento. A produção artística traz um outro olhar sobre o sujeito”.

A identidade visual do evento é inspirada na obra de Arthur Bispo do Rosário, artista e ex-paciente psiquiátrico cuja criação é referência na luta antimanicomial. Durante o festival, será realizada uma exposição de estandartes em homenagem a figuras que marcaram esse percurso, como artistas, militantes e usuários que usaram a arte como forma de resistência e cuidado.

Resistir coletivamente

O Festival Viramundo também surge em um contexto de alerta para o cenário da saúde mental no Distrito Federal. “Vivemos um grande retrocesso, com mais instituições fechadas e menos dispositivos de cuidado em liberdade”, afirma Henning.

“Brasília é um dos piores lugares do país em cobertura da Rede de Atenção Psicossocial. A lógica manicomial está em alta, e o festival é uma forma de resistir coletivamente, ocupando o espaço público com arte e cuidado”, observa a produtora artística do festival.

Segundo os organizadores, a escolha da Torre de TV como local do evento reforça o objetivo de dialogar com a diversidade da população do DF. Além disso, a presença da cultura popular na programação evidencia a importância da identidade, da oralidade e da história coletiva na construção de políticas públicas de saúde mais humanas.

“A cultura popular reconta a história de um povo”, pontua Léo Leal, produtor geral do festival. “Quando a gente traz isso para a saúde mental, reafirma a identidade das pessoas para além dos estigmas.”

O evento pretende se tornar referência e ganhar novas edições nos próximos anos. Para os organizadores, essa é uma maneira de fortalecer os vínculos entre arte, cuidado e resistência. “A lógica manicomial desumaniza”, diz Léo Leal.

“O Viramundo quer reabrir espaços de escuta, acolhimento e vida no meio da rua, com música, teatro e memória”, conclui o produtor.

Programação

4 de outubro – sábado

13h – Abertura

14h – Vivência: Corpo Lúdico

14h40 – Vivência: Teatro

15h30 – Roda de Conversa: Letramento Antimanicomial

16h30 – Apresentações: Rataria Lunática, Bloco do RivoTrio, Maluco Voador, Atravessa a Porta

5 de outubro – domingo

13h – Abertura

14h – Vivência: Percussão Popular

14h40 – Apresentação: Caps Paranauê (capoeira)

15h30 – Roda de Conversa: A convivência como cuidado em saúde mental

16h30 – Palco Aberto: O Desconhecido e O Manifesto

17h30 – Roda de Samba: Kiki Oliveira

*Com informações do Brasil de Fato

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