Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025; disputas por água mais que dobraram e contaminação por agrotóxicos ganhou destaque entre as violências registradas.
Os conflitos no campo brasileiro voltaram a crescer no primeiro semestre de 2026, após a redução registrada no ano passado. Dados divulgados nesta quarta-feira (2) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram 841 ocorrências relacionadas a questões agrárias no período, contra 798 no mesmo intervalo de 2025, aumento de aproximadamente 5%.
Os números parciais estão divididos em três grandes categorias: 711 registros relacionados à terra, 100 conflitos pela água e 30 ocorrências de trabalho escravo rural. Segundo a CPT, o levantamento permite acompanhar as tendências da violência no campo e servirá de base para o relatório anual Conflitos no Campo Brasil, previsto para 2027.
Em 2025, os registros haviam apresentado queda expressiva em relação ao ano anterior. Os novos números, portanto, indicam uma reversão dessa tendência no início de 2026.
Agrotóxicos aparecem entre principais formas de violência
Nos conflitos relacionados à ocupação e à posse da terra, os registros de violência passaram de 584 no primeiro semestre de 2025 para 663 no mesmo período deste ano. Ao mesmo tempo, as ações classificadas como resistência, como ocupações e acampamentos, diminuíram de 66 para 48.
A contaminação por agrotóxicos ganhou destaque entre as formas de violência registradas pela CPT. Dos 711 conflitos relacionados à terra, 169 tiveram ligação com o uso desses produtos. As invasões de territórios aparecem em seguida, com 109 ocorrências, enquanto o desmatamento ilegal contabilizou 107 casos.
Maranhão, Bahia, Pará e Rondônia lideraram os registros de violência envolvendo terra, com 153, 76, 68 e 54 ocorrências, respectivamente. O Amazonas chamou atenção pelo crescimento de 140% em comparação com o mesmo período de 2025, chegando a 52 registros.
Considerando todas as categorias de conflitos no campo, o Maranhão permaneceu na primeira posição, com 156 ocorrências, seguido por Pará, com 90, Bahia, com 85, e Rondônia e Amazonas, ambos com 63.
Disputas por água mais que dobram
Os conflitos envolvendo água apresentaram um dos maiores crescimentos do levantamento. O número passou de 47 registros no primeiro semestre de 2025 para 100 em 2026, distribuídos por 20 estados brasileiros.
O Pará liderou essa categoria, com 16 ocorrências, seguido por Minas Gerais, com 11. Amazonas e Mato Grosso registraram dez conflitos cada.
Segundo a CPT, parte das disputas no Pará está relacionada à atuação de garimpeiros e mineradoras e à mobilização de povos indígenas, ribeirinhos e outras comunidades em defesa dos rios e dos territórios.
Em relação ao trabalho escravo rural, foram contabilizadas 30 ocorrências e 355 trabalhadores resgatados. A própria CPT ressalta, entretanto, que os números podem sofrer alterações devido ao atraso no fornecimento de informações da Secretaria de Inspeção do Trabalho.
São Paulo concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 148 pessoas encontradas em cinco ocorrências. Três desses casos estavam relacionados às atividades de plantio e corte da cana-de-açúcar.
O levantamento também contabilizou seis assassinatos relacionados a conflitos no campo no primeiro semestre de 2026, número inferior às 27 mortes registradas no período comparável anterior. Apesar da redução dos assassinatos, a CPT aponta crescimento no número de casos e de vítimas de outras formas de violência.
As mobilizações realizadas pelas comunidades também aumentaram. Atos públicos, marchas, romarias, bloqueios, ocupações de prédios públicos e outras manifestações passaram de 253 para 284 registros.
Os dados são reunidos pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da CPT, a partir de informações coletadas pelos agentes da organização em diferentes regiões do país, além de notícias publicadas pela imprensa e registros fornecidos por órgãos públicos, movimentos sociais e entidades parceiras.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Comissão Pastoral da Terra (CPT).
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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