Ceilândia em Alerta — As altas temperaturas podem aumentar os riscos para a saúde do coração, especialmente entre pessoas que já apresentam doenças cardiovasculares ou fatores de risco. O alerta foi feito pelo cardiologista Renault Ribeiro Jr., do Hospital Santa Lúcia, durante entrevista ao CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
Segundo o especialista, o calor favorece a desidratação e, consequentemente, aumenta o esforço realizado pelo coração. A perda de líquidos pode elevar o risco cardiovascular e contribuir para problemas graves, como o infarto.
“Temperatura alta aumenta o risco de desidratação, que aumenta o trabalho do coração”, afirmou o cardiologista.
Hidratação ajuda a evitar sobrecarga
Renault Ribeiro Jr. destacou que manter uma ingestão adequada de líquidos contribui para o funcionamento do organismo e também beneficia o sistema cardiovascular. A hidratação adequada ajuda principalmente o funcionamento dos rins, que têm relação direta com o coração.
O especialista explicou que pacientes com hipertensão ou insuficiência cardíaca precisam ter atenção especial, já que muitos utilizam medicamentos que interferem diretamente no funcionamento dos rins e precisam manter um equilíbrio adequado de hidratação.
De acordo com o cardiologista, a exposição prolongada ao calor, associada à baixa ingestão de líquidos, pode provocar desidratação e aumentar a exigência sobre o sistema cardiovascular.
Exercícios exigem cuidados durante o calor
A prática de atividades físicas intensas em períodos de temperaturas elevadas também merece atenção. O especialista alertou que a busca por maior desempenho pode levar algumas pessoas a utilizar termogênicos e estimulantes em excesso.
Com o organismo já mais suscetível à desidratação, essas substâncias podem elevar ainda mais a pressão arterial e a frequência cardíaca. Outro fator de risco é escolher horários inadequados para os treinos.
Para o cardiologista, objetivos relacionados à performance não devem ser colocados acima do bem-estar proporcionado pela atividade física.
Medicamentos para emagrecimento e proteção cardiovascular
Durante a entrevista, Renault também comentou o uso das chamadas canetas emagrecedoras. Segundo ele, medicamentos inicialmente utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade posteriormente demonstraram benefícios relacionados à redução de eventos cardiovasculares.
O especialista citou estudos que apontam redução de casos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença aterosclerótica entre determinados pacientes. Também mencionou possíveis efeitos sobre a pressão arterial, o peso e processos inflamatórios associados às doenças cardiovasculares.
Para ele, esses medicamentos podem funcionar como um estímulo inicial para a perda de peso, mas devem fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde.
Ampliação de medicamentos no SUS
Questionado sobre a possibilidade de utilização desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Renault afirmou que novas tecnologias tendem a ter custo elevado inicialmente, mas podem se tornar mais acessíveis ao longo do tempo.
O cardiologista defendeu a ampliação do acesso a medicamentos considerados mais modernos, tanto para controle do colesterol quanto da pressão arterial. Ele também ressaltou que essas novas opções não devem substituir as estratégias já conhecidas de prevenção e tratamento.
Segundo Renault, a adesão ao tratamento pode melhorar quando o paciente precisa tomar determinado medicamento apenas uma vez ao dia, o que pode contribuir para melhores resultados cardiovasculares.
Hipertensão, colesterol, tabagismo e diabetes
Entre os principais fatores associados ao risco cardiovascular, o especialista citou a pressão alta, o colesterol elevado e o tabagismo.
Ele afirmou que o tratamento desses fatores contribuiu para a redução da incidência de doenças cardiovasculares ao longo dos anos. No entanto, chamou atenção para o aumento da preocupação com excesso de peso e diabetes.
Por isso, o cardiologista reforçou a importância de acompanhar regularmente os níveis de glicose no sangue e tratar o diabetes quando houver diagnóstico.
Cigarros eletrônicos também oferecem riscos
Renault Ribeiro Jr. também criticou a ideia de que os cigarros eletrônicos seriam uma alternativa sem prejuízos à saúde em comparação com os cigarros tradicionais.
Segundo o especialista, esses dispositivos contêm nicotina e outras substâncias prejudiciais. Na avaliação dele, o uso dos cigarros eletrônicos está associado ao aumento do risco cardiovascular e deve ser combatido.
O cardiologista destacou que a prevenção continua sendo fundamental para reduzir a ocorrência de doenças cardiovasculares, especialmente diante de fatores como calor excessivo, desidratação, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes e excesso de peso.
Fonte: Correio Braziliense



