Banner na cor vermelha com a logo do Ceilândia em Alerta centralizada na cor branca.

Futebol brasileiro busca combater violência contra mulheres com campanhas nos estádios

(FILES) A handout photo released by the Brazilian Ministry of Tourism shows an aerial view of Fontenova stadium in Salvador de Bahia, Brazil, taken on September 11, 2013. The game ends and the stands empty out, but a group of female fans remains in their seats. “Today, staying at the stadium is safer than going home,” read messages projected at the home stadium of Bahia, a team in Brazil’s first division. The initiative was organized by the club, its female fans, and the UN in response to a report detailing an increase in reports of violence against women on football match days. (Photo by David Campbell / BRAZILIAN MINISTRY OF TOURISM / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / BRAZILIAN MINISTRY OF TOURISM / David Campbell " - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

Ceilândia em Alerta — Uma campanha realizada na Arena Fonte Nova, em Salvador, busca chamar a atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher registrados em dias de partidas de futebol. A iniciativa reuniu torcedoras, o Bahia e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU).

Após o fim de uma partida, enquanto as arquibancadas eram esvaziadas, um grupo de torcedoras permaneceu no estádio. Mensagens projetadas no local destacavam: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro do que em casa”.

A ação ocorreu após um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que identificou aumento nas denúncias de violência contra mulheres durante dias de jogos. De acordo com a entidade, ameaças e lesões corporais registradas principalmente no ambiente doméstico aumentaram mais de 25% entre 2023 e 2025 nas grandes cidades brasileiras.

Entre mulheres de 15 a 29 anos, o crescimento chegou a 44%, segundo o levantamento.

O estudo ressalta que o futebol não é apontado como causa da violência, mas o contexto relacionado aos jogos pode contribuir para intensificar situações já existentes. Entre os fatores mencionados está o consumo de álcool.

Torcedoras cobram medidas dos clubes

A campanha, chamada “Terceiro Tempo”, foi realizada no fim de agosto, depois da partida entre Bahia e Internacional, na Arena Fonte Nova. Participaram da iniciativa 180 mulheres, em referência ao número do serviço telefônico utilizado para denúncias de violência contra a mulher.

Os registros feitos durante o ato deram origem a vídeos de uma campanha destinada a incentivar mulheres a denunciar situações de agressão.

Uma das participantes foi Virgínia Campos, de 35 anos, sócia-torcedora do Bahia. Ela afirma não ter sido vítima de violência doméstica, mas relata episódios de agressões e ofensas contra mulheres dentro dos estádios.

“O tempo todo somos xingadas e agredidas pelos próprios torcedores do clube”, afirmou.

Segundo Campos, já ocorreram situações em que torcedores jogaram copos de cerveja contra mulheres e casos de violência física. Para ela, os clubes precisam assumir responsabilidade social na prevenção desse tipo de comportamento.

A violência contra a mulher é um problema que afeta o país há décadas. Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios pelo quarto ano consecutivo, com média de quatro mortes por dia, segundo os dados citados na reportagem.

O futebol também já esteve relacionado a casos de grande repercussão, como o assassinato da modelo Eliza Samudio, em 2010. O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos de prisão pelo crime. O corpo da vítima nunca foi localizado.

Para Raul Aguirre, CEO do Bahia, os clubes podem utilizar a visibilidade que possuem para promover debates e mobilizar a sociedade em torno de questões sociais.

Preparação para a Copa do Mundo Feminina

A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 também tem impulsionado iniciativas de conscientização e segurança para as mulheres nos estádios.

O Brasil será o primeiro país da América do Sul a sediar a competição, que está prevista para ocorrer entre 24 de junho e 25 de julho de 2027.

Michele Dantas, representante no Bahia do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), afirmou que a popularidade do futebol pode ser utilizada como instrumento de conscientização sobre direitos humanos.

O UNFPA trabalha na preparação para o Mundial e mantém contatos com clubes, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa para desenvolver campanhas de conscientização. A organização também participa da elaboração de um protocolo de segurança voltado às mulheres nos estádios.

Procuradas pela Agência France-Presse (AFP), Fifa e CBF não comentaram as iniciativas mencionadas na reportagem. Em março, a CBF havia aderido a uma campanha do governo federal de combate ao feminicídio.

Para Virgínia Campos, também é necessário ampliar a presença feminina no futebol. A participação das mulheres nos estádios e no esporte foi historicamente restringida no Brasil, inclusive por decreto que proibiu a prática de determinadas modalidades por mulheres entre 1941 e 1979.

Aplicativo é usado em ações de prevenção

Outras iniciativas também utilizam o futebol para promover ações de prevenção. É o caso do aplicativo gratuito “Todas por Uma”, desenvolvido para emitir alertas em situações de violência contra mulheres.

A ferramenta funciona associada a um dispositivo capaz de registrar áudios e fotos e enviar, em tempo real, alertas e a localização da usuária para uma rede de pessoas de confiança. O sistema também permite o acionamento de autoridades em situações de emergência.

O projeto começou a ser utilizado em ações relacionadas ao Campeonato Paulista de Futebol Feminino em 2023, quando o aplicativo foi apresentado em estádios e durante transmissões das partidas.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, centenas de mulheres instalaram a ferramenta e 13 casos foram atendidos com sucesso durante os eventos.

Em agosto, 500 dispositivos do “Todas por Uma” foram entregues em Rondônia em uma ação realizada em parceria com a Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER).

“O futebol pode salvar milhares de vidas em vez de provocar uma tragédia”, afirmou Matheus Diniz, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo.

Fonte: Jornal de Brasília

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias