Democrata Abdul El-Sayed aparece com 53% das intenções de voto em Michigan, contra 42% do republicano Mike Rogers; eleições acontecem nesta terça-feira (3).
Ceilândia em Alerta – O médico e candidato democrata Abdul El-Sayed chega à reta final das eleições legislativas dos Estados Unidos liderando as pesquisas para uma vaga no Senado pelo estado de Michigan. Filho de imigrantes egípcios e defensor dos direitos dos palestinos, ele poderá se tornar o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano caso vença a disputa contra o republicano Mike Rogers, apoiado pelo presidente Donald Trump.
Levantamento realizado pelo jornal The New York Times em parceria com a Universidade Siena, entre 23 de outubro e 1º de novembro, aponta 53% das intenções de voto para El-Sayed e 42% para Rogers. A pesquisa ouviu 1.011 eleitores com probabilidade de votar. O resultado representa uma vantagem de 11 pontos percentuais para o democrata, mas não determina o resultado das urnas.
A eleição será realizada nesta terça-feira, 3 de novembro, como parte das chamadas eleições de meio de mandato, que definirão a composição do Congresso dos Estados Unidos.
Michigan ocupa uma posição importante nessa disputa. O estado votou no democrata Joe Biden em 2020 e no republicano Donald Trump em 2024, demonstrando a competitividade eleitoral entre os dois partidos.
Saúde pública, impostos e Palestina marcam propostas do candidato
Nascido em Rochester Hills, Michigan, em 1984, Abdul El-Sayed é formado em medicina pela Universidade Columbia e já comandou o Departamento de Saúde de Detroit. Em 2018, disputou as primárias democratas para o governo estadual, mas foi derrotado por Gretchen Whitmer.
Sua campanha ao Senado combina propostas de ampliação dos serviços públicos com críticas à influência do poder econômico sobre a política norte-americana.
Entre suas principais bandeiras estão a criação de um sistema universal de saúde, a cobrança de impostos mais elevados sobre grandes fortunas e a redução da influência de grandes financiadores nas campanhas eleitorais.
El-Sayed também defende mudanças na política migratória, incluindo a extinção do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE), órgão responsável por operações de fiscalização e deportação.
Na política internacional, o candidato ganhou destaque por sua posição crítica à atuação militar de Israel na Faixa de Gaza.
Ele defende a interrupção da ajuda militar norte-americana ao governo israelense e afirma que os recursos públicos deveriam ser priorizados para financiar hospitais, escolas, estradas e outras necessidades da população dos Estados Unidos.
El-Sayed classifica a ofensiva israelense em Gaza como genocídio e sustenta que palestinos e israelenses devem ter seus direitos à paz, à dignidade e à autodeterminação respeitados.
Mike Rogers, por outro lado, defende a continuidade da assistência militar a Israel e considera a parceria estratégica para a segurança dos Estados Unidos.
Trump intensifica ataques e disputa divide democratas
A candidatura de El-Sayed também provocou confrontos políticos relacionados à religião e à identidade do candidato.
Donald Trump fez declarações associando o democrata ao extremismo islâmico, enquanto Rogers levantou acusações de supostas ligações com a Irmandade Muçulmana. El-Sayed nega qualquer vínculo com a organização, e as acusações têm sido criticadas por entidades e apoiadores do candidato como manifestações de islamofobia.
A disputa ganhou repercussão adicional devido à expressiva população de origem árabe em Michigan, especialmente na região de Detroit. Parte dessa comunidade demonstrou insatisfação com a política externa norte-americana durante a guerra em Gaza.
Nas primárias democratas de 2024, mais de 100 mil eleitores do estado escolheram a opção de voto não comprometido, em protesto contra o apoio do governo de Joe Biden a Israel.
Apesar da liderança nas pesquisas, El-Sayed enfrenta divergências dentro do próprio Partido Democrata.
Sua adversária nas primárias, a deputada Haley Stevens, anunciou apoio ao republicano Mike Rogers, decisão que provocou críticas de dirigentes democratas. Stevens havia sido derrotada por El-Sayed na disputa interna realizada em agosto.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, condenou publicamente a decisão da parlamentar. Já o ex-presidente Barack Obama participou de um comício em Detroit para manifestar apoio ao candidato democrata.
Resultado poderá influenciar composição do Senado
A eleição em Michigan também tem importância para a disputa pelo controle do Senado norte-americano. A cadeira atualmente pertence ao democrata Gary Peters, que decidiu não concorrer à reeleição.
Para conquistar a maioria na Casa, os democratas precisam ampliar sua representação em quatro cadeiras, considerando a composição atual. A manutenção da vaga de Michigan é, portanto, relevante para os cálculos partidários.
Pesquisas recentes também registraram vantagens democratas em estados como Texas, Maine, Ohio e Kansas, embora os resultados permaneçam sujeitos à decisão dos eleitores.
Além das consequências partidárias, a candidatura de Abdul El-Sayed representa um marco potencial na representação religiosa e política dos Estados Unidos.
Caso seja eleito, ele será o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado federal, ampliando a diversidade de representação em uma instituição historicamente marcada pela predominância de políticos cristãos.
O resultado das urnas também permitirá avaliar a receptividade do eleitorado de Michigan às propostas econômicas, sociais e de política externa defendidas pelos candidatos, especialmente em um cenário de polarização política e debates sobre a atuação norte-americana no Oriente Médio.
Fonte: Brasil de Fato
Fonte complementar: CBS News Detroit



