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O trabalho sujo de Davi Alcolumbre ainda está incompleto. Por Moisés Mendes

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Davi Alcolumbre tem uma excitação de fala e gestos que Eduardo Cunha não tinha. Cunha encaminhou todo o processo do golpe contra Dilma como se estivesse com as válvulas da sinapse cerebral só numa fase. Era lento, esquemático e penumbroso.

Já Alcolumbre comandou a sessão que acabou com Jorge Messias como se tivesse feito uma interação medicamentosa explosiva. Cortou o discurso de Mara Gabrilli, avisou que era preciso ler com pressa o resultado já contabilizado, apostou na bet de Jaques Wagner e acertou e depois entrou no elevador correndo e gritando aos jornalistas: vocês sabem mais do que eu.

Mas não só sobre as fofocas envolvendo pactos com Flávio Bolsonaro, Alexandre de Moraes e outros interlocutores e articuladores daquela quarta-feira no Senado. Contem o que vocês sabem pra trás, da minha vida nas sombras até aqui.

A revista Piauí se esforçou para contar o que sabe do passado de Alcolumbre, mas ficou pela metade. Folha, Globo e Estadão devem saber muito mais, mas evitam que seus leitores também saibam. Alcolumbre desafiou o jornalismo covarde das corporações: contem o que vocês sabem e escondem.

Deixem de ser fofoqueiros de um episódio e procurem compreender a minha dimensão histórica na afronta ao governo, a Lula e ao Supremo. Mostrem o que eu represento como antigo borracheiro alegre da direita do Amapá e agora líder eufórico da impunidade e do golpismo no Senado.

Me descrevam me olhando no alto do lugar onde estou, como condutor da derrota de Lula, das instituições e da democracia, para muito além das intrigas. Expliquem, com fatos, o que eu significo nesse Congresso de facções viciadas em rezas, louvores, chantagens, rachadinhas e emendas.

E explicitem o papel de vocês da imprensa na estruturação desse ambiente podre em que também a Justiça nos trata a pão de ló. Expliquem por que vocês jornalistas das corporações também andam excitados.

Alcolumbre sabe o que o diferencia de Cunha. Aquele era um esquartejador com método, que anunciava seus próximos movimentos mas era tão analógico e depressivo que caminhava pelos corredores da Câmara olhando para o chão.

O ex-deputado e presidente da câmara Eduardo Cunha. Foto: Reprodução

Cunha carregava nas costas o peso do fascismo do Congresso explícito ou disfarçado em todas as frações dos centrões hoje absorvidos pelos comandos da extrema direita. Era um homem antevendo o que o esperava.

Alcolumbre é ágil, altaneiro, fala alto, tem os cacoetes de pescoço dos acelerados, anda de cabeça erguida por não precisar olhar para onde pisa. É festeiro, interativo, o operador tiktoker extasiado pelo poder que vai ampliando como agregador de todas as bandidagens da casa.

Cunha agia na Câmara baixa que dizia dominar. Alcolumbre é chefão da Câmara alta e conhece até as traças de cada gabinete, mesmo os que não lhe devem favores. Cunha foi comido pelos próprios parceiros por não ter tamanho para ser respeitado e preservado. Não valia a pena lutar por ele.

Alcolumbre tem habeas corpus. Ainda precisa cumprir sua principal missão em 2027. Será o ano em que seus parceiros de Senado colocarão o travesseiro na cara de ministros do Supremo, enquanto alguns desses ministros estiverem dormindo no mesmo quarto com Alcolumbre.

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