A relação entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi apontada como um dos fatores que influenciaram a rejeição de sua indicação à Corte pelo Senado. O apoio, inicialmente visto como um trunfo, passou a ser considerado um elemento que dificultou a articulação política necessária para aprovação do nome. A informação é da Folha de S.Paulo.
Mendonça é relator do caso envolvendo o Banco Master, investigação que atinge políticos e figuras ligadas ao centrão. A proximidade entre os dois gerou avaliação, entre senadores e integrantes do governo, de que Messias poderia fortalecer apurações em andamento, o que teria provocado resistência dentro do Congresso.
A indicação de Messias ao STF foi rejeitada na quarta-feira (29), com 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação. O resultado foi considerado incomum, diante do histórico de aprovações no Senado para cargos na Corte.
Segundo relatos de bastidores, parlamentares avaliam que houve articulação suprapartidária para barrar a indicação. Parte das discussões envolve o caso Master, que inclui apuração sobre investimentos realizados pela Amprev (Amapá Previdência), órgão ligado ao estado cujo comando já foi associado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Durante a sabatina, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou: “Há ministros hoje na suprema corte, ministro Jorge Messias, que trabalham contra a indicação de vossa excelência abertamente, que cabalam votos aqui no Salão Azul contra a indicação de vossa excelência”. A fala ocorreu no contexto de críticas ao ambiente político em torno da indicação.
O apoio de Mendonça também não garantiu adesão entre senadores ligados ao campo conservador e religioso. “Parece que os bispos que estiveram no Senado, apesar dos esforços, não conseguiram convencer os senadores evangélicos”, afirmou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA).
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