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Lula apresenta as cinco prioridades do Brasil na presidência do Mercosul

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Em discurso em Buenos Aires, presidente enfatiza fortalecimento do bloco, transição energética e combate ao crime organizado

Em discurso na Cúpula do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, nesta quinta-feira (3), a importância do Mercosul como “refúgio seguro” diante da instabilidade global. “Estar no Mercosul nos protege”, afirmou, ao abrir a sessão que marcou o retorno do Brasil à presidência rotativa do bloco.

Ao longo de mais de trinta anos, lembrou Lula, o Mercosul “ergueu uma casa com bases sólidas”, acolhendo todos os países sul-americanos numa área de livre-comércio “baseada em regras claras e equilibradas”. Para o chefe de Estado, a robustez institucional do bloco o credencia “perante o mundo como parceiro confiável”, o que explica o crescente interesse de outros países e blocos em firmar acordos com os sócios do Cone Sul.

Cinco prioridades do semestre – Lula organizou seu plano de trabalho em cinco eixos:

Comércio e integração produtiva – O presidente quer destravar a inclusão dos setores automotivo e açucareiro na união aduaneira, condição que considera estratégica para a produção de veículos elétricos e biocombustíveis. Ele defendeu a reativação do Fórum Empresarial do Mercosul, mais apoio a pequenas e médias empresas e um sistema de pagamentos em moedas locais “revigorado e moderno”, capaz de baratear transações digitais. “Nossa Tarifa Externa Comum nos blinda contra guerras comerciais alheias”, argumentou.

 Lula saudou a conclusão das negociações com a EFTA e disse estar “confiante” na assinatura, ainda este ano, dos acordos com a União Europeia e com a própria EFTA. Também pretende avançar com Canadá, Emirados Árabes, Panamá, República Dominicana, Colômbia e Equador, além de “olhar para a Ásia”, aproximando-se de Japão, China, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia.

Infraestrutura física e logística – O programa brasileiro Rotas da Integração Sul-Americana e a conclusão da Rota Bioceânica, que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, são apontados como essenciais para reduzir em até duas semanas o tempo de viagem até a Ásia. O Brasil trabalhará na segunda etapa do Focem e pleiteará apoio do Fonplata, “que se consolida como banco da integração do Cone Sul”.

Mudança do clima e transição energética – Lula sublinhou que estiagens e enchentes já castigam o Cone Sul e anunciou a meta brasileira de reduzir emissões entre 59% e 67% até 2035. O programa Mercosul Verde deverá harmonizar padrões de sustentabilidade e criar mecanismos de rastreabilidade agrícola. O governo proporá uma taxonomia sustentável para atrair investimentos em “transição justa” e pretende liderar um acordo sul-americano sobre minerais críticos, como lítio e cobre, “para que as etapas de beneficiamento ocorram em nossos territórios”.

Desenvolvimento tecnológico e soberania digital – A parceria Brasil-Chile para modelos de inteligência artificial que reflitam a realidade latino-americana foi citada como exemplo a ser ampliado. Lula defendeu a instalação de centros de dados na região, produção local de hardware e proteção de dados. No campo da saúde, quer transformar o Mercosul num polo de produção de vacinas e medicamentos.

Segurança, direitos e democracia – No combate ao crime organizado, o presidente propôs coordenar inteligência, restringir fluxos de armas e sufocar o financiamento das facções. Destacou a renovação do Comando Tripartite na Tríplice Fronteira e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia. Em paralelo, pretende fortalecer o Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos e o Instituto Social do Mercosul, retomar a Cúpula Social e realizar uma Cúpula Sindical para ouvir demandas da sociedade.

Legado e próximos passos – Lula encerrou o discurso lembrando a perda de duas “referências do Cone Sul” — Pepe Mujica e o papa Francisco — e comprometeu-se a honrar “esse legado de integração solidária e sustentável”. A presidência brasileira do Mercosul, disse, será ocasião para “refletir sobre o lugar que almejamos ocupar no novo tabuleiro global” e para apresentar, em dezembro, resultados concretos aos chefes de Estado do bloco.

*Com informações do brasil247

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