Senador participará de audiência do USTR após enviar documento ao governo Trump propondo que o Pix não seja conectado a países ‘não ocidentais’
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que viajará aos Estados Unidos para “defender o Pix” durante uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A viagem ocorre um dia após o senador encaminhar ao governo dos Estados Unidos um documento com propostas comerciais e sugestões relacionadas ao Pix, em meio às discussões sobre a investigação conduzida pelo USTR. As informações são da Folha de São Paulo.
A audiência está marcada para a próxima terça-feira (7) e integra uma investigação aberta pelo governo do presidente Donald Trump sobre supostos impactos do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos em empresas estadunidenses.
Flávio Bolsonaro diz que irá aos EUA “defender o Pix”
Durante um seminário interno do PL realizado no Rio de Janeiro, voltado à estratégia de comunicação do partido, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende defender o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso Pix, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para empresas brasileiras. E é o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos”, disse.
Além das críticas ao governo federal, o senador apresentou dados sobre o endividamento da população brasileira e voltou a responsabilizar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela condução da política econômica.
Documento propõe concessões comerciais e mudanças
Embora sustente que pretende defender o Pix, o documento enviado por Flávio Bolsonaro ao governo estadunidense apresenta propostas voltadas a responder às preocupações manifestadas pelos Estados Unidos.
O texto afirma que o Pix representa um dos principais legados da gestão de Jair Bolsonaro e rebate a alegação de que o sistema prejudicaria empresas dos EUA. Como argumento, o senador cita o FedNow, ferramenta de pagamentos instantâneos operada pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.O Pix, porém, foi desenvolvido por técnicos do Banco Central durante o governo MIchel Temer (MDB) e foi apenas implementado pela gestão Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, o documento propõe um “compromisso legislativo” para impedir que o Pix seja conectado a sistemas de liquidação transfronteiriços considerados “não ocidentais”, em referência à China. Atualmente, porém, o Pix não realiza transferências internacionais, e o texto não detalha como essa eventual restrição seria implementada.
Entre as propostas apresentadas também estão a eliminação de tarifas para o etanol brasileiro, a redução da carga tributária incidente sobre empresas de cartões de crédito e a ampliação dos acordos comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Proposta também mira o Mercosul
Outro ponto do documento é a defesa de maior liberdade para o Brasil negociar acordos comerciais de forma bilateral. No texto, o senador defende que o Brasil deveria “se libertar das amarras” do Mercosul para ampliar as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos, citando como referência a postura adotada pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Lula fala em “entreguismo inédito” do clã Bolsonaro
Nesta quinta-feira (2), o presidente Lula criticou duramente a atuação da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu logo após o senador Flávio Bolsonaro apresentar um documento de 86 páginas no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no qual sustenta que a adoção imediata de tarifas fortaleceria politicamente o governo Lula.
Ao comentar a iniciativa em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a atuação da família Bolsonaro representa uma tentativa de subordinar os interesses nacionais aos dos Estados Unidos. Segundo o presidente, “é inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”.
Na sequência, o chefe do Executivo afirmou que a política externa brasileira continuará sendo conduzida com base na igualdade entre as nações. “Nós sempre vamos dialogar de igual para igual com qualquer nação do mundo”, escreveu.
Na avaliação do presidente, “pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, acrescentou.
*Com informações do Brasil247.



