Produção do Brasil de Fato e da Fundação Rosa Luxemburgo recebeu menção honrosa em festival realizado nos Açores, em Portugal, ao abordar as contradições entre expansão mineral e transição energética.
O documentário “Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética”, produzido em parceria pelo Brasil de Fato e pela Fundação Rosa Luxemburgo, recebeu menção honrosa no Ala Q’Andar Film Festival, evento internacional realizado nos Açores, em Portugal.
O reconhecimento coloca em evidência uma produção brasileira dedicada a discutir as consequências sociais, ambientais e econômicas da expansão da mineração diante do crescimento mundial da demanda por minerais considerados estratégicos para tecnologias associadas à transição energética.
O festival recebeu mais de 2,5 mil inscrições de diferentes países e reúne produções de ficção e documentários. O evento dá atenção especial a trabalhos produzidos em países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Para Katarine Flor, coordenadora de Comunicação da Fundação Rosa Luxemburgo e codiretora do documentário, a menção honrosa reforça a capacidade do audiovisual de ampliar o debate sobre a transição energética e seus impactos. A proposta da produção, segundo ela, foi transformar uma discussão complexa em uma narrativa acessível, sem deixar de apresentar suas contradições.
Filme questiona custos da transição energética
O documentário parte de uma questão central do debate climático contemporâneo: a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis está aumentando, ao mesmo tempo, a procura por minerais utilizados na fabricação de equipamentos e tecnologias de baixo carbono.
Lítio, cobre e níquel estão entre os recursos minerais cuja demanda tende a crescer com a expansão de veículos elétricos, baterias, sistemas de armazenamento de energia e outras tecnologias consideradas importantes para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
A produção questiona, entretanto, quem arca com os custos ambientais e sociais decorrentes da ampliação dessa atividade mineral.
Por meio de depoimentos de comunidades atingidas e análises de pesquisadoras e militantes, o documentário apresenta consequências atribuídas à expansão da mineração em diferentes territórios, entre elas contaminação da água, impactos sobre a saúde das populações, enfraquecimento de economias locais e transformação da natureza em ativo financeiro.
O filme também procura mostrar as formas de resistência construídas por comunidades afetadas pela mineração e discutir a participação dessas populações nas decisões sobre projetos que interferem diretamente em seus territórios e modos de vida.
Produção teve pré-estreia durante a COP30
“Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética” teve sua pré-estreia em 2025, durante a COP30, realizada em Belém, no Pará.
Em agosto deste ano, o minidocumentário também ganhou uma sessão gratuita no Memorial da Resistência de São Paulo. A exibição foi acompanhada de um debate com pesquisadoras e representantes de movimentos que discutem os impactos da mineração, a disputa por minerais estratégicos e os desafios para uma transição energética socialmente justa.
A produção sustenta uma abordagem crítica sobre a ideia de que a substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias de menor emissão seja, por si só, suficiente para solucionar os problemas ambientais.
Ao receber uma menção honrosa em um festival internacional, o documentário amplia a circulação dessa discussão para além do Brasil e reforça o debate sobre a necessidade de conciliar a transformação da matriz energética com proteção ambiental, direitos humanos e participação das comunidades diretamente atingidas pelos projetos de mineração.
🔍 Fonte: Brasil de Fato; Fundação Rosa Luxemburgo.
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
🤖 Nota de transparência: Esta reportagem contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na organização e no aprimoramento do texto. Todo o conteúdo foi revisado, checado e editado por equipe humana antes de sua publicação.



