Ceilândia em Alerta — A terapia hormonal utilizada durante a transição para a menopausa pode estar associada à melhora de alterações de humor, como depressão, ansiedade, irritabilidade e exaustão física e mental. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da NYU Grossman School of Medicine e da NYU Langone Health, nos Estados Unidos, que acompanhou mulheres submetidas ao tratamento.
Publicado na revista científica Menopause, o trabalho analisou pacientes atendidas entre janeiro de 2023 e abril de 2025 em um centro especializado em saúde da meia-idade e menopausa. As participantes não utilizavam terapia hormonal na primeira consulta e passaram a receber o tratamento após avaliação médica. O acompanhamento médio foi de aproximadamente quatro meses e meio.
A maior parte das mulheres recebeu estradiol transdérmico, principalmente por meio de adesivos. As participantes que tinham útero também utilizaram progesterona micronizada, conforme a indicação clínica.
Redução dos sintomas psicológicos
Para avaliar os resultados, os pesquisadores utilizaram a Menopause Rating Scale (MRS), escala que mede sintomas relacionados à menopausa em três áreas: psicológica, somático-vegetativa e urogenital.
Entre as mulheres que apresentavam os sintomas mais intensos no início do acompanhamento, a melhora foi ainda maior, com redução de 3,85 pontos.
Os pesquisadores também observaram que a resposta ao tratamento não apresentou diferenças significativas de acordo com idade, estágio da menopausa, histórico de ansiedade ou depressão, etnia ou uso de antidepressivos.
Oscilações hormonais podem afetar o cérebro
Durante a perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa, os níveis de estrogênio e progesterona passam por oscilações. Essas mudanças podem interferir no sono, na regulação do estresse e na cognição.
Segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a instabilidade hormonal pode provocar alterações emocionais e períodos de dificuldade de concentração.
A especialista explica que a oscilação do estrogênio interfere em regiões cerebrais relacionadas ao controle do estresse, do sono e das funções cognitivas. A queda da progesterona também pode afetar mecanismos envolvidos na manutenção do sono.
Ansiedade, noites mal dormidas e dificuldades de concentração podem formar um ciclo de agravamento dos sintomas. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto das manifestações, e não apenas cada problema isoladamente.
Tratamento exige avaliação médica
Apesar dos resultados positivos, especialistas ressaltam que o estudo não comprova que a terapia hormonal seja um tratamento específico para depressão ou outros transtornos de humor.
A ginecologista Karoline Prado, de Joinville (SC), observa que a pesquisa é observacional e demonstra uma associação entre o início do tratamento e a melhora dos sintomas, mas não permite afirmar que a terapia hormonal tenha sido a única responsável pelos resultados.
Segundo a médica, mulheres que já apresentam indicação clínica para terapia hormonal podem experimentar benefícios adicionais na saúde emocional. Entretanto, o tratamento não deve ser prescrito exclusivamente para combater a depressão.
A especialista também destaca que a presença de um diagnóstico prévio de depressão ou o uso de antidepressivos não impede necessariamente a realização da terapia hormonal. Em determinadas situações, os tratamentos podem ser combinados, desde que existam indicações médicas para ambos.
A escolha deve considerar idade, estágio da menopausa, sintomas, histórico de saúde, contraindicações e a relação entre riscos e benefícios para cada paciente.
Fonte: Correio Braziliense



