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Zé Dirceu diz que vitória de Lula não foi do PT e defende reconstrução do partido

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Ceilândia em Alerta — O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 não pode ser atribuída exclusivamente ao Partido dos Trabalhadores. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta terça-feira (3), o dirigente defendeu uma reformulação da legenda, a ampliação das alianças políticas e a aproximação com setores da sociedade que apoiaram a oposição. Durante a campanha eleitoral, Dirceu também defendeu o diálogo com o setor produtivo e a ampliação das alianças políticas em torno da candidatura de Lula.

“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, declarou o ex-ministro.

Dirceu defendeu que o quarto mandato presidencial de Lula seja sustentado por uma base política mais ampla e diversificada, reunindo diferentes correntes partidárias e movimentos sociais. Entre as legendas que poderiam integrar essa articulação, citou PSOL, Rede, PDT e PSB.

Sucessão de Lula dependerá de novas lideranças

Ao abordar a sucessão presidencial, o ex-ministro afirmou que o próximo nome da esquerda não deve ser escolhido apenas por indicação ou articulação partidária. Na avaliação dele, uma liderança precisará conquistar espaço e reconhecimento por meio da atuação política e administrativa.

“Terão de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar”, afirmou.

Dirceu citou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como um dos nomes que ganharam projeção nacional a partir de sua trajetória no governo, especialmente pelas passagens pelo Ministério da Educação e pela equipe econômica.

Diálogo com eleitores da direita

O dirigente também defendeu que o PT amplie o diálogo com setores da sociedade que apoiaram candidatos da direita, especialmente evangélicos e jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL).

Para Dirceu, o partido precisa compreender as razões que levaram esses grupos a apoiar a oposição, evitando tratar os eleitores como adversários permanentes.

“Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, declarou.

A avaliação é de que a reconstrução do partido passa também pela capacidade de estabelecer interlocução com segmentos sociais que não se identificam com o discurso tradicional da esquerda.

Reformas e preservação de direitos sociais

Dirceu defendeu a articulação de uma agenda de reformas envolvendo diferentes setores políticos e sociais. Entre as áreas mencionadas estão os sistemas tributário, financeiro e político, além do Judiciário.

O ex-ministro ressaltou, entretanto, que mudanças institucionais precisam preservar direitos sociais, como a política de valorização do salário mínimo, as aposentadorias e os investimentos em saúde e educação.

A discussão sobre os rumos econômicos do partido também envolve a política monetária. Em outra frente desse debate, Dirceu participou da articulação de uma proposta do PT para revisar a meta de inflação e promover mudanças na política do Banco Central.

Ex-ministro descarta nova candidatura

Na entrevista, José Dirceu também comentou o resultado de sua própria disputa eleitoral. Ele não conseguiu conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo nas eleições de 2026.

O ex-ministro afirmou que o tratamento contra um linfoma, realizado entre maio e setembro, prejudicou o ritmo de sua campanha.

Dirceu também descartou a possibilidade de voltar a disputar eleições. “Já virei essa página. Não serei mais candidato”, afirmou.

Fonte: Brasil 247.

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