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Fim da escala 6×1 não “quebrará o Brasil”, afirma economista

Mobilização nacional pressiona Congresso por redução da jornada de trabalho e já gera expectativas para trabalhadores

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O principal mote deste ano dos atos realizados pelo Brasil no 1º de Maio, Dia do Trabalhador, foi o fim da escala 6×1. A luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, vem ganhando notoriedade e protagonismo nas ruas do país e no Congresso Nacional. De acordo com informações divulgadas pelo Senado Federal, por meio do seu site Senado Verifica, algumas propostas estão em análise no Congresso Nacional e buscam alterar esse modelo. Mais recentemente, por exemplo, o Executivo Federal enviou o PL 1.838/2026, que define o limite de 40 horas semanais e garante dois dias de repouso semanal remunerado, proibindo expressamente a redução de salários. “A proposta ainda aguarda decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sobre como será a tramitação. Como tramita em regime de urgência, a proposta passa a trancar a pauta de votações a partir de 30 de maio”, informa o Senado.

No Senado, a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), propõe a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais. “Começa com uma redução para 40 horas na primeira fase e diminui uma hora por ano até atingir o limite de 36 horas. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronta para ser votada no Plenário da Casa”, informa o Senado.

Na Câmara dos Deputados, duas propostas foram aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça. A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, estabelece o modelo 4×3 e limita a jornada a 36 horas semanais. Já a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes, também prevê 36 horas semanais, mas com uma implementação ao longo de dez anos. “Agora, elas precisam ser analisadas por uma comissão especial e, se aprovadas, podem seguir para o Plenário”, explica o Senado em seu site.

Mitos

Fabio Maia Sobral, economista com doutorado em Filosofia pela Unicamp, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), no curso de graduação em Ciências Econômicas e no mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFC), explica que talvez o maior mito relacionado ao medo do fim da escala 6×1 seja o de que o Brasil vai quebrar. Sobral afirma que o país não vai quebrar. “Na verdade, 60% a 65% do PIB brasileiro é consumo das camadas trabalhadoras, ou seja, é um grande mito que ganhos para essas camadas vão quebrar o país. Pelo contrário, como a maior parte do PIB depende do consumo dessas camadas, tudo o que melhora para elas permitirá um crescimento econômico do próprio país. Então, esse é o grande mito, de que o Brasil quebrará; pelo contrário, irá melhorar a sua condição”.

Impactos do fim da escala 6×1

De acordo com Sobral, o fim da escala 6×1 afetará a economia brasileira, mas de forma positiva. Segundo ele, se as pessoas tiverem uma escala 5×2 ou até 4×3, um maior número de pessoas será contratado e a massa salarial aumentará. Com o aumento da massa salarial, cresce o consumo. Com o aumento do consumo, é necessário ampliar a produção para atendê-lo. “Então, na verdade, afetará positivamente a economia brasileira. Retirará, inclusive, boa parte daquelas pessoas que desistiram de procurar emprego e estão em casa sem perspectiva, desalentadas, que é o termo técnico do IBGE. Essas pessoas voltarão ao mercado de trabalho, terão uma retomada do seu conceito de dignidade pelo trabalho, capacidade de consumo e provocarão uma elevação da massa salarial do país e, consequentemente, a melhoria da economia brasileira”.

Outro impacto apontado por Sobral diz respeito às pequenas e médias empresas que, de acordo com ele, no curto prazo podem ter algum impacto à medida que terão que se readequar, contratando mais pessoas ou reduzindo, inclusive, o seu horário de funcionamento, “mas, na medida em que o conjunto da economia contrata mais pessoas, as pequenas empresas passarão também a vender mais e acabarão sendo beneficiárias do aumento desse conjunto de salários, do total de salários pagos na sociedade, aumentando assim a sua receita e, consequentemente, tornando sustentável a implementação dessa jornada de trabalho menor do que 6×1”.

Trabalhadores

De acordo com informações divulgadas pelo Governo Federal, em um universo de 50,2 milhões de trabalhadores celetistas no Brasil, 37,2 milhões fazem jornada de 44 horas semanais, 26,3 milhões não recebem horas extras remuneradas, 14,8 milhões fazem escala 6×1 e 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas fazem escala 6×1. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2026, e do Sebrae, de 2024.

A assistente comercial Rennata Ferreira trabalha há dois anos na escala 6×1. Ela explica que o impacto dessa escala na vida profissional é o acúmulo de estresse extremo. Já na vida pessoal, é o cansaço, gerando dor no corpo e, muitas vezes, falta de disposição para lazer. “Visto que temos apenas um dia para descansar, pensar e fazer outras coisas que não sejam relacionadas ao trabalho. No meu caso, há semanas em que trabalho na escala 7×0 para complementar renda”.

Para ela, o fim da escala 6×1 é importante para que o trabalhador possa ter opção de se cuidar e não apenas viver para trabalhar. “Ele pode trabalhar sem abrir mão do lazer e do descanso, que são dois pontos importantíssimos para que as pessoas continuem sendo produtivas e saudáveis”.

Levi de Lima Oliveira é operador de perecíveis no ramo do varejo e já trabalha há sete anos na escala 6×1. Para ele, o maior impacto dessa escala é que o trabalhador não consegue descansar. “É uma escala muito exaustiva e isso acaba impactando na sua vida. Você tem um dia de folga, e nesse dia precisa resolver seus problemas, pagar suas contas, resolver situações da sua vida e acaba não descansando nessa folga, que é só uma vez na semana”.

Oliveira é um dos trabalhadores que são a favor da redução da escala 6×1 e explica o motivo. “Eu sou a favor que acabe essa escala, que mude, para que os trabalhadores tenham mais qualidade de vida, que possam descansar, que tenham mais tempo de qualidade com suas famílias, entre outras coisas.”

Campanha de conscientização

O Governo Federal lançou no último domingo (3) uma campanha pelo fim da escala de trabalho 6×1, sem redução de salário. Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito”, a campanha será veiculada em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional. “A proposta é conscientizar empregados e empregadores de que reduzir a escala é defender o convívio do trabalhador com sua família, é defender a família brasileira, é valorizar o trabalho, mas também a vida além do trabalho”, informa o governo.

Com informações do Brasil de Fato

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