Levantamento mostra divisão sobre soberania nacional e impacto da medida dos Estados Unidos em classificar as facções como terroristas
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas tem apoio da maioria dos brasileiros. Pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta semana mostra que 53% da população aprovam a medida adotada pelos norte-americanos, enquanto quase 45% desaprovam a iniciativa.
O levantamento revela ainda que a discussão extrapola a segurança pública e avança sobre temas como soberania nacional e impacto político. Embora a maioria apoie a classificação das facções, os brasileiros se dividem sobre os efeitos da decisão dos EUA no Brasil.

Segundo a pesquisa, 48% enxergam a medida como um risco à soberania nacional, enquanto 45% consideram que a iniciativa pode fortalecer o combate ao crime organizado. Outros 7% avaliam que a decisão tem caráter apenas simbólico, sem efeitos concretos sobre a segurança pública.
Quando questionados diretamente se a atitude dos EUA representa uma agressão à soberania brasileira, os entrevistados ficaram praticamente empatados: 49,7% não consideram a medida uma afronta ao Brasil, enquanto 49,4% acreditam que há interferência externa.
A percepção sobre possíveis resultados práticos também varia. Para 29,6%, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas deve trazer impacto relevante no combate ao crime e à violência no país. Outros 26,8% acreditam que haverá alguma melhora. Já 17,2% avaliam que a medida pode piorar o cenário da segurança pública.
O levantamento aponta ainda que 55,9% defendem que o governo brasileiro também passe a classificar facções criminosas como organizações terroristas, seguindo o modelo adotado pelos Estados Unidos. Outros 40,8% são contrários à medida, enquanto 3,2% não souberam responder.
A pesquisa indica ainda potencial impacto eleitoral do tema. Segundo os dados, 50,8% afirmam que votariam com mais facilidade em candidatos favoráveis à classificação das facções como terroristas. Já 33,6% preferem políticos contrários à medida. Para 15,7%, o posicionamento sobre o assunto não influencia o voto.
Na avaliação sobre segurança pública, 47,6% classificam negativamente o desempenho do governo no combate ao crime organizado. Outros 18,7% avaliam a atuação como “boa” e 18,1% como “ótima”. Já 8,7% consideram a gestão regular.
Entre as principais atividades atribuídas ao PCC e ao CV, a infiltração política e a corrupção lideram a percepção popular, citadas por 48,3% dos entrevistados. O tráfico de drogas aparece logo depois, com 44,2%, seguido pela lavagem de dinheiro, mencionada por 39,8%. Tráfico de armas e violência armada foram lembrados por 29% e 26,7%, respectivamente.
Sobre as formas de enfrentamento das facções, 74,5% defendem como prioridade o sufocamento financeiro dos grupos criminosos. O reforço no controle de fronteiras para impedir entrada de armas e drogas foi citado por 29% dos entrevistados. Já 26,4% defendem investimentos em educação, emprego e inclusão social para evitar o recrutamento de jovens pelo crime organizado. Operações policiais ostensivas em comunidades e periferias foram apontadas por 24,7%.
A pesquisa Atlas/Intel ouviu 1.273 pessoas entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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