Caso Master: Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira na delação de Vorcaro

Na proposta de colaboração, dono do Master detalha supostos pedidos de dinheiro feitos por senadores e repasses à produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro

Quase duas semanas após ter a delação recusada por investigadores da Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou nova proposta de colaboração premiada, na qual aponta outros nomes de autoridades envolvidas com o esquema fraudulento.

A defesa entregou, na terça-feira, documentos e informações para subsidiar a delação. O conteúdo foi encaminhado à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ambos os órgãos avaliam, desde essa quarta-feira, o material para saber se, desta vez, existe justificativa para firmar um acordo de colaboração.

Entre os nomes citados por Vorcaro na nova proposta estão os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

De acordo com fontes ligadas ao caso, Vorcaro descreveu os repasses que fez para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o dono do Master confirmou os pedidos de Flávio Bolsonaro por dinheiro para supostamente bancar o longa-metragem.

Mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil mostram que Flávio negociou com Vorcaro R$ 124 milhões para o filme, dos quais pelo menos R$ 60 milhões foram, de fato, repassados pelo banqueiro. Os investigadores suspeitam que parte dos recursos não foi para a cinebiografia, mas, sim, para bancar o deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Além disso, há a suspeita de que uma parte dos valores teria sido usada para lavagem de dinheiro, a fim de mascarar a origem de recursos ilegais, fruto de prejuízos ao Banco de Brasília (BRB) e de outras operações fraudulentas do Master.

Em declaração na terça-feira, Flávio negou ter cobrado recursos de Vorcaro para a produção do filme. “Não pedi dinheiro para ninguém. Era um dinheiro privado para um filme privado”, disse. O parlamentar alega que não houve ilicitude na operação e o montante recebido foi utilizado para custear o longa, com o pagamento de equipe, locação de equipamentos, gravações e edições.

O senador Ciro Nogueira também está entre os alvos de Vorcaro. O presidente do PP foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no mês passado. As equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra ele no Distrito Federal e no Piauí.

As investigações apontam que Ciro atuou no Congresso em favor do Master em troca de propina. Entre as acusações está a de que o parlamentar apresentou uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), batizada de “emenda Master”.

As buscas contra Ciro foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar negou, reiteradas vezes, envolvimento em ilegalidade e refutou que tenha apresentado a emenda para beneficiar o Master.

A nova proposta de delação de Vorcaro foi apresentada em uma reunião na segunda-feira, na PGR, mas os novos documentos foram protocolados na terça-feira. Uma reunião estava prevista para ocorrer nessa quarta-feira, porém acabou sendo adiada. Os investigadores cancelaram o encontro com a defesa em razão da necessidade de avaliar o documento que foi entregue.

Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Na proposta anterior de delação dele foi rejeitada após a PF avaliar que o banqueiro estava escondendo informações e tentando proteger aliados.

Entre os conteúdos presentes na proposta anterior de delação, estava a afirmação de que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, iria firmar um novo contrato, de R$ 50 milhões, com o Master. Os valores seriam para serviços de advocacia, mas o contrato não chegou a ser assinado. A revelação foi feita pelo O Globo e confirmada pelo Correio. Essa informação não está na nova proposta de delação.

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