Início Política STF 8 de janeiro: Alcolumbre consegue apoio no STF para redução de penas, mas sem anistia para Bolsonaro
STF

8 de janeiro: Alcolumbre consegue apoio no STF para redução de penas, mas sem anistia para Bolsonaro

Compartilhar
Compartilhar

Centrão e extrema-direita querem anistia ampla que proteja Bolsonaro, mas encontram resistência no Senado, no governo e no STF

A articulação para uma possível anistia aos envolvidos no 8 de janeiro ganhou força nos bastidores de Brasília, com pressão de diversos setores da política. De acordo com a Folha de S.Paulo, a movimentação ocorreu simultaneamente ao julgamento de sete réus acusados de envolvimento nos atos golpistas. Ao longo dos dois primeiros dias de julgamento, surgiram especulações sobre uma possível anistia a Jair Bolsonaro (PL), uma ação que não só refletiria nos três Poderes, mas também nas eleições de 2026. Embora Davi Alcolumbre, presidente do Senado, tenha declarado que apoia um projeto que reduz as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, sem incluir Bolsonaro no perdão, figuras proeminentes do centrão e da oposição manifestam discordância, defendendo uma anistia ampla que livraria o ex-presidente da prisão.

No Senado, líderes políticos estão divididos sobre a forma da proposta. Alguns defendem um perdão geral para todos os envolvidos nos ataques, mantendo, no entanto, a inelegibilidade de Bolsonaro, um ponto estratégico que beneficia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em sua candidatura à presidência em 2026. Tarcísio se envolveu ativamente na articulação política em busca do perdão amplo, com o apoio do centrão. De acordo com fontes do governo Lula (PT) e do Supremo Tribunal Federal (STF), a expectativa é que essa movimentação tenha impacto nas eleições, além de garantir uma resposta à ala bolsonarista que questiona a viabilidade de Tarcísio.

Embora o projeto de anistia precise da aprovação do Congresso, a sanção do presidente Lula será crucial para determinar o futuro da proposta. A palavra final, porém, caberá ao próprio Congresso, que pode derrubar vetos presidenciais. Para um perdão amplo, são necessários cerca de 300 votos na Câmara, o que indicaria apoio suficiente para garantir a aprovação do projeto. A disputa está em um impasse, com o julgamento de Bolsonaro e outros réus previsto para ser concluído na próxima semana. As penas máximas para os acusados podem ultrapassar 40 anos de prisão, aumentando ainda mais a pressão sobre os parlamentares.

Davi Alcolumbre, por sua vez, defende uma alternativa à anistia ampla. Segundo ele, não há apoio majoritário para a proposta, que inclui o perdão a Bolsonaro. Em entrevista, o presidente do Senado afirmou à Folha que rejeita a ideia de uma anistia geral e que trabalhará em um projeto alternativo. Este projeto, já discutido pelo ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), conta com o apoio de ministros do STF, uma vez que não envolveria o perdão a quem planejou ou financiou os atos golpistas. No entanto, a resistência do bolsonarismo, que exige a inclusão de Bolsonaro no perdão, tem sido um obstáculo para avançar com essa proposta.

Apesar das divisões, parlamentares de centro-direita e direita cogitam a possibilidade de um meio-termo, que incluiria uma solução negociada para garantir a aprovação da proposta. Nos bastidores, acredita-se que essa estratégia poderia envolver um compromisso informal com ministros do STF para evitar que a corte derrubasse a proposta. No entanto, há quem considere que a movimentação do centrão e de Tarcísio seja apenas uma estratégia de imagem, servindo para garantir a candidatura do governador de São Paulo sem comprometer a base bolsonarista.

No STF, a pressão sobre a proposta de anistia também segue em alta. Alguns ministros consideram mais favorável o projeto de Alcolumbre, embora, após a movimentação política, haja maior disposição para o perdão amplo. A expectativa é que o STF se pronuncie sobre a constitucionalidade da medida, caso ela seja aprovada pelo Congresso. Em declarações recentes, o presidente da corte, Luís Roberto Barroso, afirmou que a anistia antes do julgamento seria “impossível”, mas após ele, poderia se tornar uma questão política.

A articulação para a anistia também ganhou força no Congresso, com o apoio de partidos como PP, União Brasil e Republicanos, que defendem a proposta com urgência. Já o PT, por meio de seu líder Lindbergh Farias (RJ), manifestou oposição, considerando o avanço da anistia um erro. Farias atribuiu a articulação de Tarcísio como um movimento estratégico para consolidar sua candidatura presidencial, ao mesmo tempo em que procurava evitar uma oposição interna entre os bolsonaristas.

Em uma reunião com líderes do União Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou sua oposição ao avanço da anistia, buscando fortalecer a resistência do governo ao projeto. O presidente destacou, em seu encontro no Palácio da Alvorada, que a aprovação da anistia representaria uma rendição ao presidente dos EUA, Donald Trump, que, por sua vez, tem sido uma figura-chave na mobilização de aliados políticos em apoio a Bolsonaro.

Com informações do brasil247

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • “Nós vamos derrotar o crime organizado”, afirma Lula

    “Nós vamos derrotar o crime organizado”, afirma Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que o governo federal pretende intensificar o combate ao crime organizado no país, com reforço no efetivo da Polícia Federal e ampliação das ações de segurança pública. Durante discurso na abertura da Feira Brasil na Mesa, Lula destacou medidas recentes para fortalecer a…


  • Encurralado pela economia global, Trump vê ‘colapso da hegemonia dos EUA’ com continuidade da guerra

    Encurralado pela economia global, Trump vê ‘colapso da hegemonia dos EUA’ com continuidade da guerra

    O impasse entre Estados Unidos e Irã, com a prorrogação do cessar-fogo nesta quarta-feira (22) após pedido do mediador Paquistão, parece longe de um desfecho, com o tensionamento da disputa de controle do Estreito de Ormuz cada vez mais acirrado. Uma negociação para o fim da guerra, diante do atual cenário, é pouco provável. Essa…


  • Lula diz que vai levar jabuticaba para “acalmar” Trump

    Lula diz que vai levar jabuticaba para “acalmar” Trump

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende levar jabuticaba ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como forma de “acalmá-lo”, ao comentar o potencial agrícola brasileiro durante evento em Planaltina, no Distrito Federal. A declaração ocorreu em meio a uma agenda voltada à valorização da produção nacional e da agricultura familiar. Durante…


Compartilhar
Artigos Relacionados

Moraes abre inquérito contra Flávio Bolsonaro por calúnia contra Lula

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a...

STF

Moraes manda defesa de Jair Bolsonaro explicar fala de Eduardo sobre gravação de vídeo para o pai

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta...

STF decide sobre penduricalhos de servidores nesta semana

Julgamento sobre a legalidade de remunerações extras que superam o teto do...

STF retoma julgamento sobre suposta corrupção em emendas parlamentares

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (17) o julgamento de...