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Reencontro com a ancestralidade e a busca por novos sons marcam ‘Raízes’, novo disco de Spok

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Nas últimas três décadas, o Maestro Spok tornou a difusão do frevo pelo mundo uma bandeira artística sua. À frente da big band SpokFrevo Orquestra, tornou-se uma das principais referências contemporâneas do ritmo. Mas outros sons e narrativas também pulsam dentro do músico pernambucano, como as guitarras do rock, os ecos percussivos do manguebeat, assim como conexões a oeste com o Sertão e a leste com a África.

É dando vazão a esses outros interesses musicais e pessoais que nasce Raízes, seu novo álbum de estúdio, disponível nas plataformas de streaming desde a última semana. O projeto nasce de um desejo antigo de Spok por trabalhar sua musicalidade para além do frevo, mas o maestro ainda não tinha muita clareza que caminhos seguir para a concepção desse trabalho. Foi quando uma descoberta genética sobre seu passado e ancestralidade acabou lhe dando o fio condutor para o que seria o Raízes.

“Minha esposa lembrou que eu tinha feito um exame de DNA de ancestralidade e fui rever, descobrindo que 100% da minha linhagem materna vem da etnia Tikar, de Camarões. Foi algo que mexeu muito comigo, tive várias respostas para alguns episódios da minha vida e isso me levou ao disco. Me senti ligado às minhas raízes ritmicamente e poeticamente”, conta Spok, em conversa com o Brasil de Fato

A partir dessa matriz estética, o músico puxou outros fios musicais que atravessam sua trajetória. A poesia popular e as violas do repente que tomavam as ruas e praças do Sertão em sua memória; os anos do manguebeat, com suas guitarras marcantes e suas cozinhas percussivas ao lembrar dos ensaios que teve com Chico Science e a Nação Zumbi nos anos 1990. Aproximou-se também de instrumentos pelos quais já tinha uma paixão, como o saxofone barítono. 

E o maestro se abriu mais uma vez à coletividade para receber contribuições nessa construção. Dividindo a produção e direção musical com Miguel Mendes, Spok contou com a verve do metal de seu filho, Nilo Dias, na guitarra, a percussão de peso e história das mãos de Thulio da Xambá e Meme Bongar, ambos integrantes do emblemático grupo Bongar, que se somaram na cozinha percussiva aos companheiros de longa data do maestro, como Gilberto Bala e Doug Brito, contando ainda com os baixos e sintetizadores de Miguel Mendes.

Um trabalho coletivo que difere da lógica à qual estava acostumado na orquestra, na qual já trazia arranjos prontos e iam lapidando juntos. Para construir Raízes, Spok chegava apenas com as composições. Os arranjos nasciam em conjunto nos ensaios, com contribuições de todos os músicos. 

“Foi uma experiência nova que deixei fluir. Era comum chegar nos ensaios e ver que muitas ideias que vão trazer ali eram melhores que a minha. Principalmente por serem pessoas que dominam propriedades rítmicas e históricas que não conheço. Acontecia de eu chegar com uma composição de um jeito e algum dos meninos do Bongar falar: ‘calma, estamos falando de Xangô, não é assim que se recebe ele, é em outro tempo’. Foram muitos ensinamentos”, relata Spok.

Um time que garante uma segurança para se jogar nas descobertas e explorações estéticas. Nesse terreno, Spok se permitiu também usar sua própria voz, algo que vinha praticando com a orquestra nos últimos anos, mas que agora ganha uma nova dimensão, cantando ao lado de grandes nomes parceiros de outras datas, como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Maciel Melo, além de sua filha Ylana. Agora, com o trabalho já circulando nos fones, o maestro não vê a hora de levá-lo também aos palcos. 

“Estamos já pensando nesse lançamento, mas não vai ser algo fácil. Com esse trabalho ainda nos primeiros dias, vem sendo comum apresentarmos essa proposta de show e perguntarem ‘vai ser frevo na rua?’. Imagino que sempre vai ter gente pedindo um ‘Madeira do Rosarinho’ e a gente com esse outro lance, mas estou pronto para isso. Pode até rolar uma palinha no fim do show. Me sinto também tranquilo para cantar, é algo que venho praticando há anos e estou à vontade – e feliz”, conclui Spok.

Com informações do Brasil de fato

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Fonte:BdF
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