Diretora do Lacen explica como bactéria foi detectada em lote da Água Crystal.

A diretora e a microbiologista do Lacen explicaram como foi feito o processo de identificação da bactéria em um lote da Água Crystal.

O lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, da água mineral Crystal sem gás, comercializada pela Coca-Cola, foi imediatamente retirado das prateleiras de supermercados e estabelecimentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a bactéria Pseudomonas aeruginosa, mesma encontrada no detergente Ypê, ser identificada.

A diretora do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen), Solange Maria Marques, e a microbiologista, Iris Cabral, explicaram como foi feito o processo de identificação da bactéria e quais foram os primeiros passos para garantir a segurança dos consumidores.

Solange contou, em conversa com o Metrópoles, que o Lacen tem parceria com a Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), e que há cada início de semestre são recolhidos produtos de padarias, açougues e restaurantes para realizar análises e verificar se existe presença de algum microorganismo que possa afetar a saúde pública.

“Em uma dessas coletas, eles trouxeram essa água para nós, estava lacrada. Nós realizamos a análise e detectamos o crescimento dessa bactéria”, explica. 

A diretora ainda afirmou que não tem como confirmar se a contaminação aconteceu na própria fonte da água, se foi durante o envase, durante a manipulação, ou no armazenamento. Garantiu também que um produto não contamina outro, como no caso do detergente Ypê. “São ambientes e métodos de produção diferentes”.

Em nota, a Mineração Bom Jesus (MBJ) informou já estar finalizando o recolhimento preventivo e voluntário do lote específico. De acordo com eles, desde a notificação, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas com resultados negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação. Considerando o alto giro do produto nos pontos de venda, não há indicação de que esse lote ainda esteja disponível no mercado.

“Seguimos cooperando de forma técnica, responsável e transparente com as autoridades competentes”, disse. “Ressaltamos que esta medida se refere exclusivamente ao lote mencionado não havendo qualquer relação com outros lotes ou produtos da marca Crystal. A unidade fabril permanece operando normalmente e cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de qualidade e segurança, com processos certificados, monitoramento contínuo e total conformidade com a legislação vigente”, completou.

Notificação

Feito o processo e a identificação da bactéria, a empresa responsável é prontamente notificada e, caso discorde do resultado, é feita uma contra-prova, como foi o caso. A farmaceutica contou que uma nova análise foi feita e que também confirmou a presença da bactéria na água.

Sobre a letalidade desse microorganismo, Solange garantiu que para adultos saudáveis, sem comorbidades que diminuam a imunidade, dificilmente haja qualquer manifestação ou complicação. Já para crianças, idosos, e pessoas imunocomprometidas, ou seja, portadores do vírus HIV, pacientes em tratamento de câncer, e até mesmo doenças crônicas como a diabetes, a ingestão de um alimento contaminado pela bactéria pode ser perigoso.

Processo de detecção

A microbiologista Iris Cabral, uma das responsáveis pela análise e detecção da Pseudomonas aeruginosa, explicou que o processo dura cerca de quatro dias. Em um primeiro momento, a água passou por um laboratório de microbiologia e ambiente, onde é feita a parte microbiológica. Iris conta que todo o processo segue uma legislação específica e padrões internacionais de análise.

“Durante esses quatro dias, nós passamos por processos seletivos, como filtragem, direcionando para os microorganismos determinados na legislação”. 

Depois de vários processos seletivos, que incluem meios de cultura seletivos, em estufas com temperaturas determinadas para cada pesquisa, a especialista encontra a bactéria que bate com o perfil que está procurando, e, a partir disso, o ser vivo é levado para o espectrômetro de massa, um aparelho francês que serve para confirmar de fato a identidade daquele microorganismo.

“É como se fosse uma impressão digital da bactéria. Ele vai reconhecer as protéinas e confirma, com uma precisão de 99,99%, que é a bactéria em questão”.

O que diz a empresa

Em nota, a Coca-Cola FEMSA Brasil, uma das fabricantes da água Crystal, informou que o recolhimento voluntário e preventivo do lote é uma ação conduzida pela Brasal Refrigerantes, unidade industrial parceira do Sistema Coca-Cola.

“Esclarecemos que este lote específico foi envasado fora de nossa área de operação e não tem qualquer envolvimento da infraestrutura ou da malha logística da Coca-Cola FEMSA Brasil. Esta medida preventiva se refere exclusivamente aos produtos envolvidos na ação conduzida pela Brasal”, disse, em nota.

“A companhia tranquiliza seus consumidores e clientes ao reforçar que suas próprias fontes e unidades de produção operam com total normalidade”, acrescentou.

*Com informações Metrópoles

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