Israel faz ataques no sul do Líbano apesar de discussões sobre cessar-fogo

Os ataques de Israel ao sul do Líbano continuaram na quinta-feira (4), apesar dos acordos de cessar-fogo discutidos nas últimas semanas. As Forças Armadas israelenses informaram que realizaram bombardeios contra posições atribuídas ao Hezbollah em diferentes áreas do país

Segundo autoridades libanesas, os ataques atingiram localidades a cerca de 40 quilômetros da fronteira e deixaram pelo menos sete mortos. De acordo com o Ministério da Saúde do país, ao menos 3.526 pessoas morreram e 10.733 ficaram feridas em ataques israelenses desde 2 de março. No lado israelense, o número de mortos no Líbano é 28, incluindo 27 militares e um civil.

A nova ofensiva ocorreu enquanto seguem as negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e Líbano para tentar encerrar os conflitos na região. Apesar dos contatos entre os governos, ainda não houve anúncio de um acordo que leve à interrupção definitiva dos combates.

Hezbollah rejeitou a proposta de trégua apresentada por mediadores internacionais. O líder do grupo, Naim Qassem, afirmou que as condições colocadas para o cessar-fogo são inaceitáveis e declarou que a organização não pretende interromper suas ações enquanto tropas israelenses permanecerem em território libanês. 

Em discurso televisionado, Qassem afirmou que as exigências representam “rendição, derrota e realização dos objetivos do inimigo”. “As negociações com Israel são vergonhosas. Só nos importamos com um cessar-fogo completo e a retirada de Israel do sul. Enquanto Israel estiver no Líbano, a resistência continuará”, disse.

O grupo também rejeitou as propostas que preveem a retirada de seus combatentes do sul do Líbano durante as negociações. Segundo o Hezbollah, qualquer discussão sobre segurança deve ocorrer somente após a retirada das forças israelenses das áreas ocupadas.

Israel afirma que os ataques têm como objetivo impedir a reorganização militar do Hezbollah próximo à fronteira. O governo israelense sustenta que continuará realizando operações contra integrantes e estruturas do grupo mesmo durante as discussões diplomáticas. Autoridades israelenses também declararam que não pretendem encerrar as ações enquanto considerarem existir ameaças à segurança do país.

Paralelamente, o governo do Líbano aceitou a proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos e busca apoio internacional para interromper os ataques. O presidente libanês e integrantes do governo têm mantido contato com representantes estadunidenses, franceses e de outros países para pressionar pela implementação de uma trégua.

As negociações também ocorrem paralelamente às conversas entre Estados Unidos e Irã. Autoridades iranianas, porém, demonstraram dúvidas sobre a possibilidade de avanço das negociações. Segundo representantes iranianos, Teerã considera difícil alcançar um entendimento duradouro enquanto ataques continuam ocorrendo contra grupos aliados do país. O governo iraniano voltou a defender o encerramento das ações militares israelenses como parte de qualquer iniciativa diplomática regional.

A relação entre Irã e Hezbollah é um dos elementos centrais do conflito. O grupo libanês recebe apoio político, financeiro e militar de Teerã desde a década de 1980 e integra a rede de organizações alinhadas ao governo iraniano no Oriente Médio. Ao longo dos anos, o Hezbollah se tornou uma das principais forças políticas e militares do Líbano.

Israel considera o Hezbollah uma ameaça à sua segurança nacional e acusa o grupo de manter um arsenal de foguetes e mísseis apontados para cidades israelenses. Os confrontos entre ambos se intensificaram após o início da guerra regional e se estenderam para áreas próximas à fronteira. Os Estados Unidos são o principal aliado internacional de Israel e fornecem apoio militar, financeiro e diplomático ao país. 

O Líbano, por sua vez, enfrenta dificuldades para implementar qualquer acordo sem a participação do Hezbollah. Embora o governo central tenha apoiado os esforços diplomáticos, o grupo possui influência política e militar significativa dentro do país e mantém posição própria nas negociações.

*Com informações do Brasil de Fato

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