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Comissão de Direitos Humanos da CLDF recebe até 3 mil denúncias por ano e alerta para violações no DF

Três autoridades participam de uma coletiva de imprensa, sentadas à mesa com microfones e documentos. Ao centro, um homem de blazer azul gesticula enquanto fala, acompanhado por uma mulher de blazer rosa e um homem de terno escuro. Na plateia, uma pessoa registra o encontro com o celular.
Deputado distrital Fábio Felix durante reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que apresentou balanço dos atendimentos e analisou propostas de proteção social. Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF.

Deputado Fábio Felix apresenta balanço de oito anos à frente do colegiado; reunião também aprova propostas de combate à violência contra mulheres, ao racismo e de proteção às pessoas com deficiência.

Ceilândia em Alerta – A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebe atualmente cerca de 2 mil denúncias de violações de direitos humanos por ano, número que já chegou a 3 mil registros anuais em determinados períodos. Os dados foram apresentados pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol), presidente do colegiado, durante reunião realizada nesta quarta-feira (4 de novembro).

O parlamentar destacou que o volume de atendimentos cresceu significativamente nos últimos oito anos. Segundo ele, até 2018, a comissão recebia aproximadamente 60 a 80 denúncias anualmente. Atualmente, o órgão se consolidou como um dos espaços institucionais de acolhimento, acompanhamento e encaminhamento de situações envolvendo violações de direitos no Distrito Federal.

A apresentação ocorreu durante a última reunião ordinária da comissão em 2026, que também contou com a participação dos deputados Jaqueline Silva (MDB) e João Cardoso (Avante).

O crescimento no número de registros evidencia a ampliação da procura pelos canais de atendimento, embora não permita concluir, isoladamente, que as violações tenham aumentado na mesma proporção. A maior divulgação dos serviços e a melhoria dos mecanismos de acolhimento também podem influenciar a quantidade de denúncias recebidas.

Comissão ampliou atendimento e encaminhamento de denúncias

Durante o balanço, Fábio Felix destacou a estruturação do atendimento à população e a profissionalização das atividades desenvolvidas pela comissão.

Atualmente, as denúncias podem ser apresentadas por diferentes canais, incluindo o site oficial da Câmara Legislativa, telefone, WhatsApp e atendimento presencial.

Segundo o parlamentar, a equipe recebe as pessoas que procuram a instituição, identifica as demandas e encaminha os casos aos órgãos responsáveis pela apuração e pela adoção das providências necessárias.

Entre as atribuições da comissão estão a investigação de denúncias de violações de direitos humanos, a articulação com instituições públicas e organizações da sociedade civil e a fiscalização de políticas voltadas à proteção da cidadania.

O colegiado também pode solicitar informações, acompanhar situações de violência e encaminhar irregularidades ao Ministério Público e a outras autoridades competentes.

A atuação é especialmente importante para pessoas e famílias que enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos ou obter respostas diante de situações de discriminação, violência e desrespeito aos direitos fundamentais.

Projetos aprovados incluem proteção às mulheres e pessoas com deficiência

Além do balanço dos atendimentos, a reunião analisou propostas legislativas relacionadas à garantia de direitos e à prevenção da violência.

Entre os textos que receberam parecer favorável está o Projeto de Lei 1.227/2024, que prevê a realização de palestras anuais sobre violência doméstica em empresas de grande porte nas quais pelo menos metade dos funcionários seja composta por homens.

A proposta pretende ampliar a conscientização sobre a violência contra mulheres e estimular a prevenção também nos ambientes profissionais.

Durante a discussão, a deputada Jaqueline Silva mencionou um aumento de 27% nos feminicídios registrados em 2025, na comparação com o ano anterior, conforme os dados apresentados no relatório da matéria.

Outra proposta analisada foi o Projeto de Lei 1.830/2025, que prevê a criação de conselhos tutelares dos direitos das pessoas com deficiência no Distrito Federal.

A iniciativa busca estabelecer mecanismos específicos de acompanhamento, fiscalização e proteção dos direitos dessa população.

Fábio Felix defendeu o fortalecimento dos instrumentos de proteção, mas ressaltou a necessidade de discutir o formato da proposta com o movimento das pessoas com deficiência.

A participação direta desse segmento é fundamental para que as políticas públicas considerem suas necessidades e respeitem o princípio da participação das pessoas com deficiência nas decisões que afetam suas vidas.

Também recebeu parecer favorável o Projeto de Lei 1.104/2024, que institui uma política de combate ao racismo nas competições esportivas escolares do DF, incluindo medidas educativas, preventivas e disciplinares.

Os pareceres favoráveis representam uma etapa da tramitação legislativa e não significam que as propostas já tenham se tornado leis.

Fábio Felix encerra gestão na comissão e seguirá para a Câmara Federal

A reunião também marcou o encerramento da gestão de Fábio Felix à frente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF.

Eleito deputado federal, o parlamentar deixará a Câmara Legislativa para assumir mandato na Câmara dos Deputados em 2027.

Ao avaliar sua trajetória, Felix destacou o trabalho desenvolvido pela equipe e afirmou que pretende continuar atuando na defesa dos direitos humanos em sua nova função parlamentar.

A comissão permanecerá com a responsabilidade de receber denúncias, acompanhar políticas públicas e fiscalizar possíveis violações no Distrito Federal.

Para a população, a continuidade desse atendimento representa um importante instrumento de acesso à proteção institucional, especialmente diante de situações que envolvem violência, discriminação e dificuldades no exercício de direitos.


Fonte: Brasil de Fato

Fonte complementar: Câmara Legislativa do Distrito Federal

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