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PMs podem responder por possível abuso de autoridade após discussão com policial civil no DF

Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Ceilândia em Alerta — Dois policiais militares do Distrito Federal poderão ser submetidos à análise da Justiça Militar por uma abordagem realizada durante uma blitz no Paranoá, em janeiro de 2025. Segundo manifestação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a conduta dos militares, em tese, pode se enquadrar na Lei de Abuso de Autoridade. O caso ocorreu durante uma fiscalização de trânsito e envolve um policial civil do DF.

A ocorrência foi registrada em 5 de janeiro de 2025, no entroncamento da DF-001 com a DF-250. Um vídeo obtido pelo Metrópoles mostra parte da discussão entre o agente da Polícia Civil e os policiais militares responsáveis pela fiscalização.

Nas imagens, um dos PMs afirma que o homem estava em uma blitz da Polícia Militar e determina que ele não faça “algazarra”. Em outro momento, o militar manda o policial civil “calar a boca” e afirma que ele seria levado para uma delegacia.

Teste do bafômetro deu resultado zero

Durante a abordagem, os policiais militares questionaram o policial civil sobre a realização do teste do bafômetro. O agente afirmou que os PMs haviam insinuado que ele estaria sob efeito de álcool.

Ao final da abordagem registrada em vídeo, o policial realizou o teste do etilômetro, que apresentou resultado de 0,0 mg/l de álcool.

O episódio ocorreu em uma fiscalização relacionada à Lei Seca no Distrito Federal, segundo as informações do caso.

O policial civil também informou aos militares que precisava assumir o plantão e apresentou sua condição funcional. Posteriormente, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil confirmou a escala de trabalho mencionada pelo agente.

MPDFT arquivou investigação contra policial civil

O caso teve duas frentes de apuração. O policial civil era investigado por possíveis crimes de desobediência, abuso de autoridade, desacato e crime contra a honra.

O MPDFT pediu o arquivamento dessa parte da investigação por entender que não havia justa causa para o prosseguimento.

Segundo a manifestação, embora o policial tenha sido acusado inicialmente de se recusar a fazer o teste do bafômetro, ele acabou realizando o procedimento voluntariamente. Como o resultado foi de 0,0 mg/l, não houve aplicação de sanção relacionada à ingestão de álcool.

As gravações analisadas também não teriam apresentado elementos suficientes para caracterizar desacato ou crime contra a honra. De acordo com o documento, o agente teria questionado a forma como a abordagem estava sendo conduzida.

O comandante da equipe da PMDF ouvido durante a apuração também afirmou que o policial civil não havia ofendido os militares.

Conduta dos PMs será analisada pela Justiça Militar

Apesar de pedir o arquivamento da investigação contra o policial civil, o MPDFT apontou possíveis irregularidades na atuação de dois policiais militares.

Segundo a manifestação, os militares teriam imposto restrições sem respaldo funcional, determinado que o abordado “calasse a boca” e ameaçado levá-lo para um local não especificado, descrito durante a abordagem como “onde a gente quiser”.

Para o Ministério Público, essas condutas podem, em tese, configurar abuso de autoridade.

O MPDFT, porém, entendeu que a análise da conduta dos militares deve ser encaminhada à Justiça Militar, já que eles estavam em serviço e atuavam em uma fiscalização de trânsito.

A manifestação foi assinada em 1º de outubro. O procedimento envolvendo os policiais militares deverá seguir para análise da Justiça Militar, que poderá avaliar a existência ou não de eventual infração.

O episódio integra outros casos envolvendo a Polícia Militar do Distrito Federal, abordagens e fiscalização de trânsito na capital.

Fonte: Metrópoles

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