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Eleitores dos EUA rejeitam expansão de data centers e ações de inteligência artificial despencam

Interior de um centro de dados com fileiras de servidores de alta capacidade, organizados em gabinetes metálicos iluminados por luzes azuis. O ambiente possui corredores amplos, piso técnico e iluminação no teto.
Grandes centros de processamento de dados estão no centro do debate eleitoral norte-americano após a aprovação de restrições à expansão dessas instalações em diversas comunidades.

Em 40 dos 41 plebiscitos realizados nas eleições de meio de mandato, população apoiou restrições a grandes centros de processamento de dados; preocupação com energia, água e custo de vida pressiona gigantes da tecnologia.

Ceilândia em Alerta – As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3 de novembro), revelaram uma crescente resistência da população à expansão das grandes empresas de tecnologia. Em 40 dos 41 plebiscitos locais realizados em dez estados, os eleitores aprovaram medidas contrárias à instalação ou à expansão de grandes centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. O resultado também repercutiu no mercado financeiro, provocando fortes quedas nas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

O movimento ocorre em meio à preocupação com o aumento do consumo de energia elétrica e água, recursos utilizados em grande quantidade pelas instalações responsáveis pelo processamento de informações e pelo funcionamento dos sistemas de inteligência artificial.

Segundo pesquisa de boca de urna da emissora NBC News, 57% dos eleitores norte-americanos acreditam que a inteligência artificial poderá causar mais prejuízos do que benefícios à sociedade. Outros 76% manifestaram oposição à construção de grandes centros de dados em suas comunidades.

A insatisfação também se refletiu nas eleições legislativas, nas quais o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, perdeu suas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado.

Consumo de energia e água aumenta resistência aos data centers

Os data centers são instalações que concentram servidores e equipamentos utilizados para armazenar, processar e transmitir informações digitais. Com a expansão da inteligência artificial, a demanda por essas estruturas aumentou significativamente.

O funcionamento exige grandes quantidades de eletricidade, tanto para alimentar os equipamentos quanto para manter os sistemas de refrigeração. Dependendo da tecnologia utilizada, o resfriamento também pode exigir volumes expressivos de água.

Em determinadas regiões norte-americanas, moradores passaram a questionar os impactos desses empreendimentos sobre as tarifas de energia, o abastecimento de água e a infraestrutura local.

O economista André Roncaglia, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Universidade de Brasília (UnB), avaliou à Agência Brasil que os efeitos ambientais e econômicos dessas instalações contribuíram para ampliar a mobilização popular.

Segundo ele, estados com menor regulamentação atraíram investimentos expressivos, mas também passaram a enfrentar questionamentos relacionados aos custos da expansão tecnológica.

A resistência ultrapassou divisões partidárias tradicionais, reunindo eleitores preocupados com a distribuição dos benefícios econômicos e dos impactos ambientais da inteligência artificial.

Mercado financeiro reage à possibilidade de maior regulamentação

A derrota de projetos ligados às grandes empresas de tecnologia ocorreu simultaneamente ao avanço dos democratas no Congresso norte-americano.

O resultado aumentou a expectativa de que o setor de inteligência artificial enfrente regras mais rigorosas nos próximos anos, especialmente em relação à proteção dos consumidores e à construção de novas instalações.

A reação do mercado foi imediata. O índice Nasdaq Composite, que concentra importantes empresas de tecnologia, registrou queda de 5,5% na quinta-feira (5), em meio à desvalorização de companhias ligadas à inteligência artificial e à fabricação de semicondutores.

As perdas também atingiram mercados asiáticos nesta sexta-feira (6). A Bolsa de Tóquio encerrou o pregão em queda de aproximadamente 6%, enquanto empresas de tecnologia da Coreia do Sul e de Taiwan registraram desvalorizações expressivas.

Analistas relacionam o movimento à preocupação dos investidores com possíveis restrições regulatórias, além de dúvidas sobre a capacidade das empresas de transformar os elevados investimentos em inteligência artificial em receitas sustentáveis.

Para Roncaglia, a mudança no cenário político norte-americano tende a provocar uma reavaliação das expectativas do mercado financeiro.

Plebiscitos mostram rejeição expressiva aos grandes empreendimentos

Grande parte das consultas populares foi organizada a partir de mobilizações locais e petições apresentadas pelos próprios moradores.

As propostas buscavam limitar ou impedir a instalação de centros de processamento de dados de grande porte, especialmente aqueles com demanda energética igual ou superior a 25 megawatts.

Em Ottawa, no estado do Kansas, uma medida que restringe a construção dessas instalações recebeu 72% dos votos favoráveis.

Os resultados reunidos pela organização Ballotpedia indicam que diversas propostas de restrição ultrapassaram 60% de aprovação.

O diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, destacou que 56% dos eleitores consideraram a inteligência artificial e os data centers fatores importantes ou decisivos na escolha de seus representantes.

Na avaliação do especialista, a rejeição não significa necessariamente oposição ao desenvolvimento tecnológico, mas uma cobrança por maior participação democrática nas decisões que afetam as comunidades.

Inteligência artificial deve ganhar espaço no debate político

Com o fortalecimento dos democratas no Congresso, cresce a expectativa de apresentação de propostas para regulamentar o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial.

A deputada eleita pelo Arizona, Yassmin Ansari, defendeu medidas mais rigorosas de controle sobre tecnologias avançadas, incluindo restrições ao desenvolvimento de sistemas considerados de alto risco.

Donald Trump, por outro lado, havia anunciado em setembro uma proposta de autorregulação, permitindo que as próprias empresas estabelecessem mecanismos de segurança e controle.

O resultado eleitoral indica que a expansão tecnológica deverá enfrentar maior fiscalização pública, especialmente quando envolver consumo de recursos naturais, impactos econômicos e direitos dos consumidores.

A discussão também deverá influenciar a disputa presidencial norte-americana de 2028, colocando no centro do debate uma questão fundamental: quem recebe os benefícios econômicos da inteligência artificial e quem assume seus custos sociais e ambientais?


Fonte: Agência Brasil

Fonte complementar: InfoMoney

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