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Lula associa “tesouraço” de Flávio Bolsonaro a risco de cortes em políticas sociais

Peças de propaganda eleitoral mostram caricatura de Flávio Bolsonaro como marionete, com a palavra “Tesouraço” e críticas políticas associadas à imagem de Jair Bolsonaro.
Lula alerta para impactos do chamado “tesouraço” proposto por Flávio Bolsonaro sobre políticas sociais | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Campanha de Lula afirma que o “tesouraço de Flávio Bolsonaro” pode atingir programas sociais; plano do candidato do PL prevê redução da máquina pública, mas promete preservar benefícios existentes.

Ceilândia em Alerta – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a explorar nesta terça-feira (6) o chamado “tesouraço de Flávio Bolsonaro” como um dos principais pontos de confronto econômico do segundo turno. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula associou a proposta de redução dos gastos públicos apresentada pelo candidato do PL ao risco de cortes em políticas como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, merenda escolar, cisternas e prevenção de desastres.

A mensagem faz parte da estratégia eleitoral da campanha de Lula para estabelecer uma comparação entre as propostas econômicas dos dois candidatos. A peça também recupera decisões tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e argumenta que programas e políticas públicas sofreram redução de recursos naquele período.

A associação entre o plano econômico de Flávio e eventuais cortes nesses programas, entretanto, é uma avaliação da campanha de Lula. O programa registrado pelo candidato do PL não determina a extinção dessas políticas e afirma que os programas sociais existentes serão mantidos, com revisão da gestão e medidas de combate a fraudes.

“Tesouraço de Flávio Bolsonaro” prevê redução da máquina pública

O programa de governo de Flávio Bolsonaro utiliza a expressão “grande tesouraço” para definir uma política de redução das despesas públicas e dos impostos. Entre as medidas apresentadas estão o corte de pelo menos dez ministérios, redução de cargos comissionados e despesas administrativas, reforma administrativa e combate a supersalários e benefícios considerados excessivos no serviço público.

O documento também propõe uma nova regra para controle das despesas, limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro e geração de superávits primários como estratégia para estabilizar e posteriormente reduzir a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

A equipe econômica ligada à candidatura chegou a mencionar uma redução de despesas equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB, estimada em cerca de R$ 190 bilhões. Esse valor, entretanto, não aparece como meta quantificada no programa registrado pelo candidato.

Também não há no documento detalhamento suficiente para determinar exatamente quanto seria economizado com cada medida ou quais despesas seriam reduzidas para alcançar um corte dessa dimensão.

Na área social, o plano afirma que os programas existentes serão mantidos. Também prevê iniciativas de qualificação profissional destinadas aos beneficiários, mecanismos para facilitar o retorno a programas de transferência de renda após períodos de emprego e utilização da Caixa Econômica Federal para ampliar serviços de crédito, habitação e apoio ao empreendedorismo.

Campanha de Lula recupera medidas do governo Bolsonaro

Ao criticar o tesouraço de Flávio Bolsonaro, a campanha de Lula procura relacionar a proposta atual às políticas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro.

O material divulgado cita Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, combate ao câncer, construção de cisternas, merenda escolar e prevenção de desastres como exemplos de áreas que teriam enfrentado redução de recursos ou mudanças durante a administração anterior.

A estratégia política é argumentar que um ajuste fiscal de grande dimensão pode afetar serviços públicos caso a economia pretendida não seja obtida exclusivamente com redução de estruturas administrativas, cargos e outras despesas da máquina pública.

Por outro lado, o programa de Flávio sustenta que o equilíbrio fiscal permitiria reduzir a dívida, os juros e os impostos e criar condições para maior crescimento econômico e investimento privado. O candidato estabelece como objetivo alcançar crescimento sustentado de 4% ao ano.

Os dois programas apresentam, portanto, estratégias diferentes para a política econômica. Lula defende a continuidade do atual arcabouço fiscal combinada com investimentos públicos e políticas sociais, enquanto Flávio coloca maior ênfase na redução das despesas, diminuição da estrutura administrativa do governo e participação do setor privado.

A extensão prática do chamado “tesouraço” dependeria das medidas apresentadas por um eventual governo, da elaboração do Orçamento e, em diversos casos, da aprovação do Congresso Nacional. Até o momento, o programa de Flávio não especifica quais despesas responderiam pela maior parte da redução pretendida.


🔍 Fontes: Portal Vermelho; programa de governo de Flávio Bolsonaro.

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