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Mulheres conservadoras conquistam votações recordes e ampliam presença política em 2026

Bia Kicis, Damares Alves e Michelle Bolsonaro de mãos dadas e com os braços erguidos durante evento do Republicanos.
Bia Kicis, Damares Alves e Michelle Bolsonaro durante reunião em Brasília; as três representarão o Distrito Federal no Senado a partir de 2027 | Crédito: Reprodução/Instagram Michelle Bolsonaro

Mulheres conservadoras nas eleições alcançaram resultados expressivos em assembleias legislativas e no Senado, ampliando o debate sobre representação feminina, feminismo e pautas de gênero.

Ceilândia em Alerta – As eleições de 2026 registraram votações expressivas de candidatas identificadas com pautas conservadoras e críticas ao feminismo. As mulheres conservadoras nas eleições conquistaram posições de destaque em estados como São Paulo e Rio de Janeiro e ampliaram sua presença no Senado, resultado que também abriu uma discussão sobre as diferentes correntes políticas existentes dentro da representação feminina.

Em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, recebeu 1.956.238 votos e foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa. Durante a campanha, ela se apresentou como adversária do feminismo e defendeu posições como oposição ao aborto e à criminalização da misoginia, além do porte de armas como instrumento de proteção das mulheres.

No Rio de Janeiro, Índia Armelau (PL) liderou a votação para a Assembleia Legislativa, com 248.504 votos. Entre as pautas defendidas durante sua atuação política está a restrição ao uso de banheiros femininos por mulheres trans.

Os resultados mostram que candidaturas femininas conservadoras conseguiram alcançar parcelas expressivas do eleitorado, fenômeno que especialistas ouvidas pelo Brasil de Fato relacionam também à organização política e digital desenvolvida por grupos conservadores nos últimos anos.

Mulheres conservadoras nas eleições ampliam presença no Senado

A participação feminina também cresceu no Senado. Das 54 vagas disputadas em 2026, 12 foram conquistadas por mulheres, o maior número registrado em uma única eleição desde a redemocratização.

Entre as eleitas estão Michelle Bolsonaro (PL-DF), Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC) e Gracinha Caiado (União-GO).

No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis passarão a dividir a representação no Senado com Damares Alves (Republicanos), cujo mandato continua até 2031. Com isso, as três cadeiras destinadas ao DF serão ocupadas por mulheres a partir de 2027.

O crescimento da representação feminina não ocorreu apenas entre partidos conservadores. Candidatas de esquerda e centro-esquerda também ampliaram sua presença no Congresso, embora mulheres identificadas com a direita sejam maioria entre as parlamentares eleitas, segundo levantamento apresentado pela reportagem.

Para a cientista política Irina Ferrari, diretora de Advocacy do Instituto Levante Mulheres Vivas, o desempenho das candidaturas conservadoras está relacionado a um processo de formação de lideranças femininas desenvolvido por partidos, redes religiosas, movimentos políticos e plataformas digitais.

Na avaliação da pesquisadora, lideranças desse campo conseguiram estabelecer comunicação com mulheres a partir de temas presentes no cotidiano, como maternidade, família, violência, cuidado e segurança, oferecendo respostas políticas diferentes das apresentadas por movimentos feministas.

Essa interpretação é uma análise da especialista sobre os resultados eleitorais e não significa que mulheres que votaram nessas candidatas compartilhem necessariamente das mesmas posições em todos esses temas.

Fenômeno “tradwife” também entra no debate político

A reportagem relaciona parte dessa discussão ao crescimento internacional do fenômeno conhecido como tradwife, abreviação em inglês de traditional wife, ou “esposa tradicional”.

O termo ganhou popularidade nas redes sociais para identificar mulheres que valorizam modelos tradicionais de divisão de papéis dentro da família, geralmente associados à dedicação feminina ao lar e à maternidade e ao homem como principal provedor.

Entretanto, a identificação com posições políticas conservadoras ou a crítica ao feminismo não transforma automaticamente uma mulher em tradwife. O fenômeno possui características próprias e sua utilização no contexto eleitoral funciona principalmente como referência a uma discussão mais ampla sobre papéis tradicionais de gênero.

A socióloga Jacqueline Pitanguy, fundadora da organização Cepia, avalia que a expansão de discursos desse tipo está relacionada ao crescimento de movimentos políticos e religiosos que defendem estruturas familiares mais tradicionais. Para ela, existe uma contradição histórica no fato de mulheres que rejeitam o feminismo utilizarem direitos políticos cuja conquista teve participação decisiva dos movimentos feministas.

Já a cientista política Irina Ferrari argumenta que setores feministas e progressistas também precisam avaliar sua capacidade de dialogar com mulheres que defendem igualdade em determinadas áreas, mas possuem posições conservadoras em questões comportamentais, segurança pública ou identidade de gênero.

As próprias mulheres eleitas apresentam diferenças importantes entre si. A presença feminina no Parlamento não significa necessariamente concordância sobre aborto, políticas de igualdade, segurança, direitos LGBTQIA+, família ou outras questões sociais.

O resultado das eleições de 2026 mostra, portanto, duas tendências simultâneas: mais mulheres conquistaram espaços institucionais de poder e aumentou a diversidade política entre essas representantes. O significado dessa maior presença feminina dependerá das propostas, projetos e votos apresentados pelas parlamentares durante seus mandatos.


🔍 Fonte: Brasil de Fato.

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