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Sindicatos defendem ampliar diálogo na disputa pelo voto dos trabalhadores no DF

Manifestação de trabalhadores e centrais sindicais em Brasília, com bandeiras e faixas em defesa do emprego, direitos, democracia e fim da escala 6x1.
Trabalhadores ocupam Brasília em marcha nacional pelo fim da escala 6x1 | Crédito: Roberto Parizotti/CUT

Voto dos trabalhadores no DF entra no centro das avaliações de sindicatos e movimentos após o primeiro turno; entidades defendem maior presença nas periferias e nas redes sociais.

Ceilândia em Alerta – Representantes de sindicatos e movimentos sociais do Distrito Federal avaliam que os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 aumentaram a necessidade de disputar o voto dos trabalhadores no DF, principalmente por meio da retomada do trabalho de base, da presença nas periferias e de maior atuação nas redes sociais. As avaliações foram feitas após a definição da nova composição do Congresso Nacional e da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Os representantes ouvidos pelo Brasil de Fato consideram que partidos e candidatos de direita ampliaram sua presença entre segmentos da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, destacam que partidos de esquerda aumentaram de seis para sete o número de deputados distritais na CLDF.

Entre os nomes eleitos estão Max Maciel (Psol), que recebeu 92.234 votos e alcançou a maior votação da história para deputado distrital, Keka Bagno (Psol), com 40.569 votos, e Múcio (PSB), com 42.769.

No Senado, o Distrito Federal elegeu Michelle Bolsonaro (PL), com 938.496 votos, e Bia Kicis (PL), com 886.616. As duas passarão a integrar a bancada do DF ao lado de Damares Alves (Republicanos), cujo mandato continua na próxima legislatura.

Voto dos trabalhadores no DF entra na estratégia dos movimentos

Para Marco Baratto, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o resultado mostra que existe uma disputa política relevante entre diferentes parcelas da população trabalhadora.

Na avaliação de Baratto, movimentos e partidos progressistas precisam intensificar sua presença nos territórios e aproximar o debate político de problemas concretos enfrentados diariamente pela população.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, também demonstrou preocupação com a nova composição do Congresso. Segundo ele, o crescimento de parlamentares conservadores pode dificultar a aprovação de propostas defendidas pelas organizações sindicais e aumentar os conflitos em torno da legislação trabalhista.

Essa avaliação representa a posição da CUT-DF sobre a nova composição parlamentar. As posições dos deputados e senadores podem variar conforme cada projeto apresentado ao Congresso.

Já Rodrigo Britto, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, defende uma combinação entre atuação presencial e comunicação digital. Para ele, parte dos trabalhadores, principalmente entre os mais jovens, passou a se identificar mais com discursos ligados ao empreendedorismo e ao individualismo do que com a identidade tradicional de trabalhador assalariado.

Britto considera que sindicatos e organizações de esquerda precisam melhorar sua comunicação nas plataformas digitais e, ao mesmo tempo, recuperar conversas presenciais nos locais de trabalho, bairros e comunidades.

Baratto também defendeu maior presença nas regiões administrativas e áreas periféricas do Distrito Federal. Segundo ele, o trabalho político precisa ultrapassar o Plano Piloto e abordar questões diretamente relacionadas à vida cotidiana da população.

Segundo turno amplia mobilização no Distrito Federal

As avaliações também estão relacionadas à disputa pelo Governo do Distrito Federal. Celina Leão (PP) terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, enquanto Leandro Grass (PT) recebeu 34,47%. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.

Para Márcia Gilda, diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), o período até a nova votação será utilizado pelas organizações sindicais para ampliar a discussão sobre temas relacionados aos trabalhadores e aos serviços públicos.

A mobilização também chegou à Universidade de Brasília (UnB). Cerca de 120 professores, estudantes e técnicos administrativos participaram na segunda-feira (5) de uma reunião convocada pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB).

No encontro, foram criados grupos de trabalho voltados à organização, comunicação, atuação territorial e cultura. Entre os assuntos definidos como prioritários estão educação pública, ciência, democracia e soberania nacional.

A agenda sindical e dos movimentos também inclui temas nacionais relacionados diretamente às relações de trabalho. Um dos principais é a proposta de redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1, atualmente em discussão no Senado.

Outra questão levantada pelos movimentos é a necessidade de relacionar as condições de trabalho aos problemas urbanos e ambientais. Para Lúcia Mendes, diretora da Associação Preserva Serrinha e coordenadora do Fórum de Defesa das Águas, do Clima e Meio Ambiente do DF, transporte público, saúde, acesso a serviços e impactos dos eventos climáticos atingem diretamente a população trabalhadora.

As entidades ouvidas pela reportagem defendem posições políticas próprias e participam ativamente do debate eleitoral. Suas avaliações sobre o comportamento dos eleitores, o crescimento da direita e as consequências da nova composição parlamentar representam, portanto, as interpretações desses movimentos sobre o resultado das urnas, e não permitem concluir que a classe trabalhadora do Distrito Federal forme um bloco político homogêneo.


🔍 Fonte: Brasil de Fato.

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