Após reunião de Trump e Lula, Brasil está de portas abertas para os EUA

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), trouxe uma perspectiva otimista para a relação comercial entre os dois países, ao menos na visão da comitiva brasileira. O encontro ocorreu na Casa Branca, em Washington, com a participação de cinco ministros de cada lado. Classificada como uma “reunião de trabalho”, menos formal do que uma visita de Estado, a viagem não rendeu assinatura de acordos nem novos anúncios, mas serviu para mostrar o bom relacionamento dos dois chefes de Estado, apesar do distanciamento ideológico.

Os países firmaram acordos para avançar nas negociações, especialmente no comércio bilateral. A pedido de Lula, o encontro ocorreu sem a presença da imprensa, e sem a declaração conjunta normalmente realizada entre chefes de Estado. Após deixar a Casa Branca, na embaixada do Brasil, ele recebeu a imprensa. A reunião durou quase o dobro do tempo previsto, o que foi atribuído à boa disposição dos dois lados para negociar.

“Eu estou muito otimista. Tem uma divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião”, respondeu Lula ao ser questionado sobre as tarifas americanas. Apesar de a maior parte do tarifaço já ter sido revogada, alguns produtos ainda estão sancionados. “Nós levantamos a tese de que está havendo uma fiscalização que nós achamos que não tem procedência. Eles levantaram a tese de que o Brasil está cobrando imposto demais”, acrescentou o presidente. Com a divergência, os dois governos concordaram em criar um grupo de trabalho para revisar a relação comercial, que dará resultados em 30 dias. “Quem estiver errado, vai ter que ceder”, frisou o petista.

O grupo de trabalho será comandado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelo secretário de Comércio americano, Howard Lutnick.

Lula aproveitou o momento para alfinetar o afastamento dos EUA, enquanto o comércio com a China cresaceu. “Durante todo o século 20, os EUA foram o maior parceiro comercial do Brasil. Começou a perder hegemonia a partir de 2008, se não me falha a memória, porque a China entrou no espaço para comprar coisas brasileiras que interessavam aos chineses. É importante que os Estados Unidos voltem a ter interesse nas coisas do Brasil. Muitas vezes, nós fazemos licitações internacionais para uma rodovia, uma ferrovia, e os EUA não participam. Quem participa são os chineses”, enfatizou.

Outro tema central do encontro foi a exploração de terras raras, já que o governo americano tem grande interesse na exploração dos minérios brasileiros. Lula disse ter explicado para Trump o projeto de lei (PL) aprovado pela Câmara dos Deputados, na quarta-feira, para criar o marco legal das terras raras e minerais críticos. O petista destacou que, com a medida, o governo trata a questão como “soberania nacional”. Também garantiu que o Brasil está aberto aos investimentos americanos no setor. “O que nós dissemos para os EUA é que nós não temos veto a nenhum país que queira participar com o Brasil. O Brasil é que tem a obrigação de ter uma regulamentação em que o Brasil seja soberano”, explicou Lula.

Trump, por sua vez, classificou o encontro como positivo e destacou as negociações, justamente, em torno do comércio. “Acabei de concluir meu encontro com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especialmente, tarifas. O encontro correu muito bem. Nossos auxiliares combinaram de se reunir para discutir alguns pontos-chave. Novas reuniões serão marcadas nos próximos meses, como for necessário”, escreveu o republicano na Truth Social, sua rede social.

Crime organizado

Apesar de terem conversado sobre o combate o crime organizado, em meio a uma movimentação do governo americano para classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, Lula disse que a classificação das facções não foi discutida. Ele aproveitou para informar que o governo vai lançar, na próxima semana, um pacote com novas medidas. “Vamos lançar um plano de combate ao crime organizado. Quem escapou até semana que vem, tudo bem. Mas, quem não escapou, não vai escapar mais”, frisou.

Lula também disse ter pedido a Trump que devolva os vistos suspensos. As medidas atingem ministros do Supremo, autoridades do governo federal e seus familiares, e foram impostas como forma de pressionar contra o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Entreguei a lista dos nomes brasileiros que ainda estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Como foi aprovada a dosimetria no Congresso Nacional, que vai diminuir a pena de todo mundo, quem sabe o Trump entenda a necessidade de liberar o visto desses brasileiros que estão proibidos de entrar aqui”, contou Lula.

Com informações do Correio Braziliense

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